201710.16
Fora
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O que fazer quando os valores da empresa não são os mesmos dos funcionários.

Um dos principais desafios das organizações que têm como diretriz a valorização da diversidade é aterrissar este valor, ainda recente no mind set corporativo, para suas práticas regulares. Assim como todo aspecto cultural, trata-se de um processo que leva tempo para se consolidar, sobretudo quando envolve o tema da diversidade e inclusão. Isto faz com que o desafio fique um pouco maior, pois é um tema sobre o qual as pessoas possuem seus próprios valores e crenças, influenciadas por fatores sociais, históricos, religiosos entre outros. Como, então, as empresas devem lidar com este potencial conflito de valores?

O primeiro passo é definir o posicionamento institucional. Para isto, é fundamental visitar seus documentos internos como as diretrizes, seus códigos, seus valores e sua estratégia. Deve-se interpretar sua missão, visão e valores. Certamente este exercício ajudará a identificar inúmeras diretrizes alinhadas com o conceito de diversidade e inclusão.

Direcionamentos como não admitir discriminação, valorizar a diferença de pensamentos e a construção de um ambiente respeitoso e inclusivo são bastante comuns nos códigos e valores das empresas. Isto facilita endereçarmos o tema, pois há a oportunidade de conectar a valorização da diversidade com diretrizes já existentes, desta forma, dimininuindo as potenciais resistências.

O segundo passo é o engajamento interno. É aí que, muitas vezes, o conflito entre valores corporativos e individuais aparece. É neste momento que se deve comunicar de forma explícita que, dentro da empresa, os valores corporativos se sobrepõem aos valores individuais.

Certamente há pessoas dentro de uma organização que podem ser contrárias ao reconhecimento da união de casais do mesmo sexo ou mesmo ter divergências com aspectos religiosos. As pessoas podem, logicamente, ter suas crenças individuais, mas, no que diz respeito à sua atuação profissional, são os valores corporativos que direcionam o posicionamento e os códigos de conduta.

O preconceito existe, pois é uma característica presente devido a diversos fatores, inclusive o tão falado viés inconsciente, conjunto de conceitos estipulados em nosso cérebro a partir de experiências vividas. O que não se pode aceitar são as ações provenientes deste preconceito, a discriminação, pois aí teremos algo que compromete fortemente a imagem e a qualidade das relações da empresa.

Uma coisa é uma pessoa ter dificuldade com as questões de diversidade sexual ou de gênero, outra coisa, inadmissível para o ambiente corporativo, é esta pessoa deixar de contratar ou promover alguém, ou mesmo demiti-la por ser gay ou mulher.

Neste sentido, torna-se cada vez mais importante as empresas desenvolverem ações para comunicar, de forma clara, seu posicionamento em relação à valorização da diversidade e, de fato, estimular a relação entre as equipes para um ambiente inclusivo.

(*) Guilherme Bara é gerente de Relacionamento e Diversidade da Fundação Espaço ECO®.

Fonte: Época Negócios, por Guilherme Bara (*), 11.10.2017

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