14
setembro
2015
Destaque, Notícias,

Os efeitos positivos do home office.

Diante da necessidade de equilibrar a vida pessoal e a profissional, melhorar a mobilidade e até reduzir custos operacionais, empresas e profissionais têm adotado o trabalho remoto. Neste caso, o profissional divide sua semana de trabalho em dias no escritório e em casa.

Dados de uma pesquisa da recrutadora Robert Half feita com 1.675 gestores de 12 países, sendo 100 do Brasil, mostra que nos últimos três anos, 44 % dos diretores de recursos humanos brasileiros aumentaram o uso do home office para seus profissionais – a média mundial foi de 29%. Segundo o estudo, para 75% dos diretores entrevistados, oferecer mais autonomia melhora diretamente a produtividade do profissional. Elevação do nível de criatividade, comunicação, colaboração e capacidade de gerenciar, foram outros efeitos positivos apontados pelo estudo.

De acordo com a gerente sênior da Robert Half, Daniela Ribeiro, é importante estudar os benefícios para o profissional que trabalha em home office. “No trabalho remoto a empresa abre mão do controle para extrair a produtividade do profissional. Quanto mais flexibilidade a empresa der, mais o profissional entrega, não importa onde ele esteja”, acredita. No entanto, ela destaca que o profissional precisa ter maturidade e foco para atuar em casa, pois ele deverá fazer autogestão do trabalho e é bom que tenha um espaço adequado para trabalhar.

Na avaliação da diretora da Robert Half, em muitos casos, trabalhar sem a pressão do chefe pode despertar o lado criativo do profissional, que será revertido em produtividade. “Por isso, alguns setores, como o de inovação, já reconhecem o home office como uma realidade. Assim como os profissionais da área comercial, para quem o trabalho remoto é aplicável”, diz.

O executivo de relacionamento da ArgoIT, Bruno Barbieri, de 22 anos, trabalha em sistema de home office desde abril de 2014, quando entrou na companhia, que produz softwares e aplicativos para o mercado de viagens corporativas. “O home office me fez ganhar em tempo e ter flexibilidade de horário para trabalhar e cuidar da vida”, diz.

Barbieri conta que desde a contratação soube que trabalharia em casa. Para se preparar, ele conversou com colegas que trabalhavam nesse sistema para ouvir dicas e transformou um espaço de sua casa em escritório de trabalho. Como executivo de relacionamento, vende projetos para as empresas do segmento.

“É preciso ter muita disciplina para que seja bom para você e para a empresa. Há a comodidade de estar em casa, mas as entregas são iguais.” Em sua rotina, Barbieri tem contato diário com sua equipe, por e-mail, telefone ou Skype, e uma vez por semana tem reuniões no escritório. Para o jovem, o modelo consegue ser eficiente, quando a empresa oferece suporte adequado, como telefone, computador e acesso à internet.

“Hoje, eu entendo os benefícios do home office, mas tenho um lado ‘conservador’ (de querer trabalhar no espaço físico da empresa), por isso estabelecemos um encontro por semana”, acrescenta Barbieri.

Alinhamento. Para desempenhar bem as funções remotamente, o profissional deve ter clareza das entregas a serem feitas diariamente. “É preciso alinhar com o chefe como serão as entregas, pois como o funcionário não está na empresa, as pessoas podem pensar que ele não está trabalhando”, diz o especialista em gestão de tempo e produtividade, Christian Barbosa.

De acordo com ele, é preciso estar disponível, conferir e-mails, atender o telefone. O especialista recomenda fazer um “ponto de controle”: na hora de almoço avise as atividades desempenhadas durante a manhã e no fim da tarde também. “Mapeie as atividades do dia, tenha uma agenda e sempre fale com o chefe”, orienta.

Para Barbosa, no trabalho remoto é mais importante vencer as barreiras comportamentais do que as tecnológicas. “Acorde, tome banho e vista roupas como se fosse para sair de casa de ir para o escritório. O local mudou, mas a função é a mesma.” Outra recomendação é ter um ambiente propício para trabalhar.

Um espaço reservado com mesa, cadeira, iluminação, internet com alta velocidade e telefone.

Na avaliação do especialista, as empresas brasileiras permitem, em média, de dois a três dias por semana de home office. “Além dos benefícios para o profissional, a empresa economiza na operação, pois com o profissional em casa diminui o custo fixo da empresa. A organização precisa entender que ela não contrata o tempo e sim o talento e a entrega do profissional.”

Barbosa, contudo, afirma que nem todo profissional tem perfil para trabalhar remotamente. De acordo com ele, há pessoas que precisam ter gente ao lado para interagir, por exemplo. “Se o profissional tiver o perfil adequado, pode fazer trabalho remoto. As exceções são funções que necessitam da pessoa, como processos fabris”, diz.

Profissional que atua em casa teme a solidão e ganhar peso

Dados da pesquisa sobre trabalho remoto feita pela empresa Regus com cerca de 44 mil entrevistados em 100 países mostram que 61% dos que trabalham remotamente têm um escritório em casa, e 51% deles relatam que a área é funcional e bem equipada.

De acordo com o estudo, no Brasil, do total de pessoas que trabalham em casa, 59% o fazem dois dias e meio por semana ou mais. No entanto, segundo o mesmo estudo, os trabalhadores flexíveis precisam de um ambiente profissional que seja produtivo. O levantamento ainda constatou que os profissionais em home office têm medo de ficar solitários, de ganhar peso e de envelhecer.

“Alugamos escritórios físicos, estações de trabalho em uma sala compartilhada com outras pessoas e sala apenas para reuniões”, diz o diretor da Regus Brasil, Dante Righetto.

Ele conta que os espaços têm serviços de internet, copa, café, secretária bilíngue. Pagando um aluguel mensal pelo tempo que o profissional precisar: um dia, uma semana, um mês.”

Pagando uma mensalidade a partir de R$ 59, o profissional pode ter um cartão de visitas com um endereço em um prédio comercial da Regus. E conforme o profissional precisar agregar serviços, como o uso de salas semanais, para reuniões, telefone ou secretária, o valor sobe.

Além de alugar espaços para empresas, há ambientes que funcionam como ponto de apoio por quem não quer perder o contato corporativo. “Ele pode contratar para trabalhar uma vez por semana, por exemplo. Lá ele tem a oportunidade de estar com profissionais de outras empresas, ou liberais, e manter o contato empresarial”, diz Righetto.

Diretor regional para America Latina e do Sul da Taplow Brasil Consultores, o headhunter Tácito Bocaiuva decidiu alugar uma sala em um dos espaços flexíveis da Regus para trabalhar, depois que os sócios da empresa optaram pelo home office.

“A sede jurídica da minha empresa é aqui e o meu contrato inclui aluguel da sala, recepção bilíngue, serviço de copa e limpeza”, conta. Segundo Bocaiuva, quando ele precisa de mais espaço para realizar reuniões ou atender a um número maior de pessoas, ele pode contratar uma sala de reuniões no mesmo espaço em que atua.

Bocaiuva conta que poderia trabalhar em casa, mas como atende executivos, precisa ter um espaço formal. “O custo beneficio deste espaço é muito bom e eu não preciso me preocupar com contratação, pagamento e falta de funcionários.”

De acordo com o headhunter, às vezes ele tem clientes em outras regiões e pode utilizar os escritórios da Regus nessas outras localidades.

Fonte: O Estado de São Paulo, por Edilaine Felix, 13.09.2015

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