201508.10
0
0

BYOD: uso de aparelho do funcionário economiza tempo.

Amplamente utilizada pelos funcionários da Ingram Micro em outros países, a prática do Bring Your Own Device (BYOD) – quando o colaborador utiliza seu próprio smartphone, tablet ou notebook para fins profissionais – está chegando à unidade brasileira da multinacional. “O BYOD está em início no Brasil e a adesão é voluntária para aqueles que sentirem necessidade de acompanhar os e-mails profissionais em seus smartphones particulares”, diz Diego Utge, vice-presidente e executivo-chefe da Ingram Micro no Brasil.

O programa, segundo ele, surgiu da necessidade da empresa de reduzir custos operacionais, entre eles de telefonia celular, além de flexibilizar a utilização de equipamentos pessoais no ambiente corporativo de forma segura e dentro de parâmetros corporativos.

Além do impacto nas contas da empresa – a expectativa é de redução de 50% nos custos diretos com telefonia celular -, o BYOD tende a aumentar a produtividade dos funcionários.

Um estudo recente da Cisco com 2.400 usuários de dispositivos móveis em 18 setores e seis países – Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Índia, China e Brasil – mostrou que os funcionários adeptos da consumerização de TI (outro jargão do mercado para o BYOD) economizam, em média, 37 minutos por semana graças ao uso do próprio dispositivo no trabalho. Nos EUA, essa economia chega a 81 minutos por semana.

“Quem leva o próprio dispositivo para o trabalho acaba respondendo e-mails e mensagens mais rapidamente, porque checa o aparelho o tempo todo”, diz Ricardo Ogata, gerente de desenvolvimento de negócios de colaboração da Cisco. “Além disso, quem adota o BYOD costuma ter mais satisfação e mais afinidade com o equipamento, porque usa o dispositivo que gosta. Esse prazer, aliado ao conhecimento maior da ferramenta, permite que as pessoas naveguem mais facilmente e conheçam melhor os aplicativos instalados. Isso ajuda na produtividade.”

O mesmo estudo da Cisco mostra que 49% dos funcionários preferem usar o próprio dispositivo no trabalho, contra apenas 30% que acham melhor quando a empresa fornece o equipamento.

Essa mistura entre vida pessoal e profissional parece ser um caminho sem volta. “É um estado de coisas que veio para ficar e estamos aprendendo a lidar com isso”, afirma Paulo Sardinha, coordenador da pós-graduação Gestão de Recursos Humanos do Ibmec/RJ e presidente da ABRH-RJ.

No Brasil, mais de 55% dos profissionais da geração Y costumam ficar disponíveis para a empresa por e-mail e telefone 24 horas por dia, sete dias por semana, segundo o 2014 Cisco Connected World Technology Report, que ouviu profissionais com idades entre 18 e 50 anos em 15 países.

Globalmente, um pouco menos da metade dos profissionais ouvidos realiza atividades relacionadas ao trabalho enquanto dirige o próprio carro. São tarefas como enviar e-mail, ler e mandar mensagem de texto ou tweet ou ainda utilizar o serviço de voz do dispositivo móvel para executar uma pendência.

Essa disponibilidade do funcionário em tempo integral aumenta a produtividade, claro, porque e-mails e mensagens urgentes podem ser respondidos rapidamente. “Há empresas que funcionam 24 horas por dia por conta do fuso horário e, em multinacionais, é natural que e-mails sejam trocados fora do horário de trabalho”, diz Sardinha.

O que ele vê nas empresas é o uso do bom senso e de acordos verbais para não permitir que o alcance dos dispositivos móveis atrapalhe a vida pessoal dos funcionários. “Não há uma solução única legal e de gestão para todos os níveis hierárquicos”, diz o professor.

Para ele, o cumprimento mais rígido de horário e da separação do limite entre vida pessoal e profissional funciona para os cargos mais da base da pirâmide, nos quais o tempo de produção é o que conta. Já nos níveis hierárquicos mais altos, que englobam cargos de mais responsabilidade, o que vale é a qualidade da decisão e não o tempo dedicado ao trabalho. É aí que entra a flexibilidade. “Provavelmente, a empresa vai esperar de um gestor que ele responda um e-mail à noite caso seja urgente, mas também vai permitir que ele acompanhe a mãe ou o filho ao médico no meio do dia sem descontar salário”, diz.

De qualquer forma, as empresas sempre estão vulneráveis em relação à legislação quando se fala em horário de trabalho. “É possível minimizar essa vulnerabilidade escolhendo pessoas com adesão à cultura da empresa e maduras profissionalmente, mas não há como impedir futuros processos”, afirma Sardinha.

Na Ingram Micro, para evitar futuros entraves judiciais, a unidade só permite a adesão ao BYOD para os funcionários que ocupam cargos de confiança e têm jornada livre.

Fonte: Valor Econômico, por Adriana Fonseca, 10.08.2015

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *