08
julho
2015
Clipping, Destaque, Doutrina,

A trajetória do emprego e desemprego.

Enquanto a economia americana gerou 280 mil novos empregos só em maio passado, a brasileira destruiu 115 mil postos de trabalho. Nos últimos doze meses, perdemos quase meio milhão de empregos formais, sem falar no agravamento acelerado da informalidade.

A combinação do encolhimento da oferta de empregos com o aumento da procura por trabalho deu como resultado uma forte elevação da taxa de desemprego que, nos dados da Pnad de abril de 2015, chegou a 8% da força de trabalho.

As pesquisas de opinião pública mostram que o desemprego é a maior preocupação da população nos dias atuais. A procura por empregos deve se intensificar, não apenas entre os que estão desempregados, mas também entre os que, entre 2011a 2014, se retiraram do mercado de trabalho para estudar ou usufruir os benefícios dos programas sociais. O desemprego já atingiu suas famílias que, agravado pela alta da inflação, reduziu o poder de compra dos seus membros.

Para eles, é imperioso que mais pessoas trabalhem e ganhem o necessário para o sustento familiar.

Apesar da gravidade do quadro instalado, lamento dizer que ainda não chegamos ao fundo do poço porque as empresas que estão mantendo os quadros atuais e evitando demissões adicionais estão no seu limite de tolerância.

As montadoras de veículos paralisaram metade das fábricas em todo o Brasil porque não têm para quem vender. Muitas já pararam de produzir. As que ainda operam, mantêm jornadas reduzidas, concedem férias coletivas, colocam seus empregados em lay off — tudo para evitar mais demissões. Esse quadro já domina várias cidades do interior, até então blindadas contra demissões. Para comprovar a gravidade da situação, aumentam a cada dia os casos de redução de salários pela via da negociação coletiva.

Com a ameaça da reoneração da folha de pagamentos, outros setores ameaçam demitir empregados como é o caso, por exemplo, da construção civil, máquinas e equipamentos e tecnologia da informação. Tais setores são intensivos em mão de obra e vinham mantendo seus quadros com a ajuda de um alívio nos encargos sociais proporcionado pela desoneração da folha, pois para eles também a demanda pelo seu produto diminuiu bastante.

No caso de São Paulo, as indústrias contempladas pela desoneração da folha de pagamentos respondem por 54% do emprego do setor industrial. Segundo a Fiesp, essas empresas pretendem demitir empregados no caso de uma reoneração da folha.

Nos setores do comércio e serviços o impacto da reoneração poderá provocar o mesmo efeito. Aliás, o comércio varejista, que até aqui se manteve como empregador liquido, está congelando as contratações devido à queda de vendas e de margem de lucro.

Para os analistas do mercado de trabalho preocupa também a situação dos investimentos públicos, que já tiveram uma retração de 40% em 2015, atingindo áreas importantes para o emprego como, por exemplo, infra-estrutura, habitação, educação, saúde e outros. A isso se soma a forte alta dos juros e a aceleração da inflação.

Não há dúvida de que 2015 terminará com um quadro muito grave no campo do emprego e desemprego. Muitos atribuem tudo isso ao programa de ajuste fiscal. Mas, convenhamos, com o descontrole dos gastos públicos que dominou o Brasil nos últimos cinco anos, o quadro não poderia ser diferente. Acabaram-se os sonhos de consumo elevado e desemprego em baixa. Agora, o que nos resta é buscar medidas compensatórias para aliviar os danos do desemprego — como é a proposta do seguro-emprego ora em discussão — e tudo fazer para se reequilibrar as finanças públicas a fim de trazer de volta as condições e o animo para investir e gerar empregos.

Quando isso acontecerá? É difícil precisar uma data. Mas, se o ajuste der os resultados esperados, muito provavelmente teremos os primeiros sinais de uma retomada da confiança e dos investimentos a partir do segundo semestre de 2016. Dali para a frente, o Brasil pode ter chances de voltar a atrair os capitais externos para ajudar o capital nacional a reanimar a nossa economia. Afinal, quando se considera o que há por fazer em nosso país, o Brasil se destaca como uma grande oportunidade para investir, podendo se tornar uma salutar usina de empregos para o seu povo.

Fonte: Correio Braziliense, por José Pastore, 01.07.2015

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