201803.02
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Recrutadores dão menos chances para quem deixou emprego pelos filhos.

Pais e mães que deixaram o emprego para cuidar dos filhos encontram mais dificuldades para retornar ao mercado de trabalho do que pessoas que passaram o mesmo tempo desocupadas após perder o emprego, aponta um novo estudo americano.

A pesquisadora Katherine Weisshaar, professora do departamento de sociologia da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, enviou mais de 3.300 currículos fictícios para vagas de contadores, analistas de finanças, engenheiros de software, gerentes de RH e diretores de marketing.

Os perfis inventados eram de homens e mulheres com o mesmo nível de experiência, histórico de empregos e qualificações, mas a pesquisadora os dividiu em três grupos: profissionais que estavam empregados, profissionais que passaram 18 meses desempregados, e profissionais que escolheram passar 18 meses em casa cuidando dos filhos. Todos os materiais incluíam a informação de que o candidato tinha filhos.

Os profissionais que mais receberam convites para continuar no processo seletivo foram aqueles que já estavam empregados – 15,3% das mulheres e 14,6% dos homens. Profissionais de ambos os gêneros que passaram mais de um ano desempregados receberam duas vezes mais respostas do que aqueles que se ausentaram do mercado de trabalho pelo mesmo tempo para cuidar dos filhos.

Entre as mulheres, 9,7% das profissionais desempregadas receberam respostas, contra 4,9% das mães desocupadas; entre os homens foram 8,8% de respostas para os desempregados e 5,4% para os pais. O estudo foi publicado na edição mais recente da revista acadêmica “American Sociological Review”.

Como parte do estudo, a pesquisadora realizou uma pesquisa com mil pessoas para analisar a percepção suscitada pelos três perfis de profissionais. No geral, todos profissionais que passaram um período sem trabalhar foram vistos como menos capazes do que os empregados. Mas aqueles que decidiram parar de trabalhar para cuidar dos filhos foram considerados menos comprometidos com o trabalho, menos confiáveis e, por consequência, menos merecedores da vaga. Pais foram considerados ainda menos confiáveis do que mães.

Para Weisshaar, as empresas ainda esperam que funcionários se dediquem por completo ao trabalho, priorizando o emprego sobre outras áreas da vida. “Ambientes de trabalho pouco flexíveis e culturas muito exigentes, onde os funcionários precisam estar sempre disponíveis, são as principais razões para pais deixarem o mercado de trabalho. Essas mesmas normas são invocadas quando esses profissionais tentam retornar ao mercado, o que acaba produzindo um círculo vicioso”, explica a pesquisadora, em um artigo para a “Harvard Business Review”.

Fonte: Valor Econômico, por Letícia Arcoverde, 02.03.2018

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