201710.31
Fora
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O futuro do trabalho exige reinvenções no presente.

O impacto de inúmeras mudanças, em todos os aspectos das nossas vidas, tem merecido intensos estudos, análises, discussões e comentários. De forma especial aparecem as questões ligadas ao mundo da tecnologia, inteligência artificial, robotização e as comunicações virtuais.

Também a globalização é de longa data merecedora de atenções pelos seus impactos na geografia dos países, fluxos migratórios, mercados, vida corporativa e nas estruturas familiares. Mais recentemente o tema ligado a gênero vem gerando acalorados debates.

Mas o que desejo provocar com este artigo são reflexões sobre dois aspectos que também estão surgindo de forma muito veloz no mundo do trabalho. Refiro-me às novas relações de trabalho e a mudanças na legislação previdenciária, que devem exigir das novas gerações uma visão muito diferente do que tiveram seus pais e antecedentes.

Já é possível observar que as novas gerações não têm mais como valor importante estabelecer uma relação de longo prazo com uma empresa. Ou seja, manifestam claramente que administrar a carreira é assunto da responsabilidade do próprio indivíduo. Estão menos preocupados com adotar um “sobrenome” corporativo para a vida toda.

Fica também muito claro que esta geração deverá encarar o processo de aprendizagem como algo permanente. A renovação constante – tanto pessoal como profissional – não depende mais, com exclusividade, das instituições de educação formal, e muito menos das empresas.

Deverão considerar a participação em grupos de pesquisa e estudos, leitura permanente, autocrítica, confrontação de ideias e modelos, autodesenvolvimento e maior equilíbrio nos vários papéis, tais como o profissional, familiar, afetivo, social, educacional, espiritual e individual.

Os desafios no campo da previdência também se mostram radicais. Permanecer na vida ativa por muito mais tempo já é hoje uma realidade em muitas culturas. Paralelamente, cada um deverá criar identidades profissionais, tanto de forma simultânea ao percurso do trabalho como também considerando projetos de vida que assegurem um futuro.

O aumento dos índices de longevidade vai requerer também radicais mudanças nos hábitos e costumes nas áreas, tanto financeira como de cuidados físicos e com a saúde.

Claramente a dependência de algum sistema público de previdência já se mostra obsoleto e crítico hoje. Em relação ao futuro, caberá a cada um criar reservas, patrimônio e gestão financeira de forma preventiva. Paralelamente está também deixando de existir o conceito de que “os filhos cuidarão de nós na velhice”. Temos que educar filhos para que assumam seus papéis de autonomia e responsabilidade com seu próprio futuro.

Na área da saúde, além de estar mais atento a este tema desde muito cedo, uma postura preventiva requer a contratação de um plano médico que possa cobrir as despesas que tendem a se tornar bem maiores com o passar do tempo e da vida.

São apenas algumas provocações para quem está na meia-idade. É preciso começar agora a se preparar agora para um futuro mais longo e com qualidade de vida plena em um mundo em constante mudança.

(*) Renato Bernhoeft é fundador e presidente do conselho de sócios da höft consultoria.

Fonte: Valor Econômico, por Renato Bernhoeft (*), 31.10.2017

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