201602.16
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Para evitar pedidos antiéticos no trabalho, apele para Deus.

Você já sentiu pressão do chefe para fazer algo considerado antiético no trabalho, mas não soube como dizer não por medo de represálias? Para pesquisadoras de duas universidades americanas, pode haver uma forma simples de prevenir essa situação: apelar para Deus ou algum outro símbolo que remeta à moral.

Publicado no Academy of Management Journal, um estudo analisou se expor “símbolos morais”, como um ícone religioso ou uma frase famosa que remeta à ética, pode servir como uma espécie de “amuleto” contra a corrupção no ambiente de trabalho.

Maryam Kouchaki, da Kellogg School of Management, da Universidade de Northwestern, e Sreedhari Desai, da Kenan-Flagler Business School, da Universidade da Carolina do Norte, descobriram que a presença desses símbolos diminui a chance de profissionais receberem pedidos antiéticos de superiores. Segundo elas, isso acontece por criar a percepção de que a pessoa tem um caráter moral mais forte, e também por estimular uma conscientização maior daqueles com quem ela se relaciona.

“Sempre ouvimos histórias de pessoas que cometeram atos antiéticos para manter o emprego porque eles receberam um pedido e sentiram que não poderiam negar”, explica Maryam, que é professora de administração da Kellogg. “Tentamos descobrir se há um jeito sutil de prevenir esse tipo de situação para que elas nem cheguem a acontecer.”

Em um dos experimentos, participantes precisaram decidir se pediriam para um subordinado enviar um e-mail desonesto que resultaria em uma perda menor para o resultado final da atividade. Eles tiveram que escolher entre duas pessoas: Pat, que se apresentou em um e-mail que continha a frase “Melhor fracassar com honra do que ter sucesso por meio de fraudes”, e Sam, que não incluiu nenhum “símbolo moral” na apresentação. Um segundo grupo de participantes precisou fazer a mesma atividade mas não recebeu a apresentação com a frase de Pat.

Aqueles que leram a citação sobre ética escolheram, em maior número, não enviar o e-mail considerado antiético em troca de perdas menores. Entre aqueles que ainda assim decidiram mandar o e-mail, a maioria elegeu Sam para fazê-lo. Outros quatro estudos similares trouxeram resultados parecidos.

As pesquisadoras ainda fizeram um levantamento em empresas da Índia — onde usar símbolos religiosos no ambiente de trabalho é comum — e viram que profissionais que possuíam símbolos desse tipo recebiam menos pedidos antiéticos, sendo considerados mais morais pelos chefes. Tanto nos experimentos quanto na pesquisa em campo, as pesquisadoras não encontraram evidência de represálias por parte dos superiores por causa da opinião dos subordinados.

Fonte: Valor Econômico, por Letícia Arcoverde, 16.02.2016

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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