07
julho
2015
Clipping, Notícias,

Programa de proteção ao emprego é visto como tábua de salvação do setor.

Com quase 40 mil funcionários afastados pela crise, a indústria automotiva aposta suas fichas no programa de proteção ao emprego (PPE) para equilibrar a tensa situação que o setor vive. Com a medida, as montadoras querem só uma coisa: flexibilidade.

“A necessidade de aprovação do programa é justamente segurança jurídica para que as empresas possam negociar a redução da jornada não só para a fábrica toda, mas também setores específicos, o que hoje não ocorre”, afirmou nesta segunda-feira (6) o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan.

A complexidade do setor automotivo levou representantes do setor a encabeçar as negociações com o governo federal, já há alguns meses, para uma flexibilização das negociações em relação à jornada de trabalho, o que tem sido chamado de PPE.

Isso porque, de um lado, a crise generalizada tomou conta das montadoras, que hoje têm 36,9 mil empregados afastados, seja por férias coletivas ou layoff (suspensão temporária do contrato de trabalho).

Do outro, linhas específicas de algumas marcas parecem passar despercebidas pela crise ou ao menos não necessitam parar por completo, como é o caso da Toyota (com o sedã Corolla) e da Honda (com o utilitário esportivo HR-V), que têm mantido as vendas em alta.

“O que nós queremos é mais flexibilidade para negociar os acordos, principalmente em relação ao layoff”, afirma o diretor executivo da Anfavea, Aurélio Santana.

Atualmente, a legislação permite um período máximo de cinco meses para o layoff, com afastamento integral do funcionário. Com o PPE, a licença pode vigorar por seis meses, prorrogáveis por até 12 meses. A proposta inicial da Anfavea era de um período de até dois anos.

“Tínhamos esse pleito, mas são muitos agentes econômicos envolvidos”, destaca Santana. Com a medida provisória (MP) enviada pela presidente Dilma Rousseff ao Congresso nesta segunda-feira, as montadoras poderão negociar redução de jornada de até 30% com ajuste proporcional de salário.

“O PPE é mais econômico para as empresas e também para o governo, pois os funcionários não estarão 100% do tempo afastados”, ressalta Moan. “Além disso, o risco do seguro-desemprego é bem menor”, avalia o dirigente.

Para o analista da consultoria automotiva MSXI, Arnaldo Brazil, o programa tem tudo para ser adotado. “A realidade é que os pátios estão lotados e, se nada for feito, a tendência é que as montadoras busquem cada vez mais medidas de ajustes”, explica.

No fim da semana passada, a Mercedes-Benz tentou acordo com o sindicato do ABC Paulista para redução da jornada com ajuste dos salários em 10%, proposta que não foi aprovada em assembleia.

“A Mercedes é só a primeira a agir nesse sentido e as outras empresas devem fazer o mesmo”, comenta Brazil. Ainda na semana passada, funcionários da unidade Anchieta da Volkswagen entraram em layoff, informação que não foi confirmada pela companhia.

Moan explica que, atualmente, as montadoras têm liberdade para negociar redução de jornada com os sindicatos, porém, muitas vezes, as negociações esbarram na própria justiça. “Quando a crise é generalizada, o acordo consegue ser aprovado. Mas quando está em questão algum setor específico da linha, dificilmente é liberado”, diz o dirigente.

Ele ressalta que as negociações previstas pelo PPE só serão fechadas por meio de acordo coletivo específico. “Esse instrumento é muito importante para a manutenção do nível de emprego”, afirma.

Somente em junho, o número de postos de trabalho na indústria automotiva recuou 9,6% na comparação anual, um declínio de 14,6 mil pessoas em números absolutos.

Queda livre

No primeiro semestre, a produção de veículos despencou 18,5%, mesmo com as medidas de ajustes de pessoal pelas montadoras. O pior desempenho foi verificado no segmento de caminhões, cuja queda atingiu 45,2% até junho.

Ainda assim, a Anfavea não irá revisar as projeções para o ano, como fez a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), na semana passada.

“Temos convicção de que atingiremos nossas projeções em 2015”, avalia Moan. Para este ano, a Anfavea prevê uma queda da produção em 17,8% e, dos licenciamentos, 20,6%.

Moan atribui parte da queda do setor à falta de confiança que permeia a economia. “O pior fator que pode impactar as vendas é o receio da perda do emprego”, avalia.

O dirigente destaca, no entanto, que a entidade trabalha em diversas frentes para atingir as suas projeções, como o Salão Auto Caixa e o festival do consorciado contemplado.

Mas os números da indústria só tiveram recuperação nas exportações. Em volumes, as vendas ao exterior cresceram 16,6% no primeiro semestre, para 197,3 mil unidades.

“Estamos muito perto de fechar outros acordos na América Latina e estamos encaminhados na União Europeia e nos EUA”, pondera Moan.

Segundo ele, as vendas para o México subiram 70% de janeiro a junho, enquanto que em países como o Peru o incremento foi de 82%. “Junho foi nossa melhor marca nas exportações em 20 meses”, diz Moan. O dirigente informa ainda que, em valores, o faturamento vem se recuperando mês a mês.

Fonte: Diário do Comércio, Indústria e Serviços, por Juliana Estigarríbia, 07.07.2015

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