07
outubro
2016
Clipping, Mídia,

Antigos inscritos no PPE são os novos demitidos.

Em apenas um mês, o número de trabalhadores afastados das fábricas de veículos ou com jornada reduzida diminuiu de 22,3 mil para 7,3 mil. A queda está, no entanto, longe de refletir uma recuperação do setor. As montadoras já não precisam manter tantos empregados em casa porque fizeram um drástico corte de pessoal, principalmente no mês passado, com dois grandes programas de demissões voluntárias, na Volkswagen e Mercedes-Benz. Desde o fim de 2013, a indústria automobilística enxugou 20% do efetivo, o que levou ao fechamento de 27 mil vagas.

O pico do afastamento do trabalho no setor foi há um ano. Em outubro de 2015, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) informou que 40,2 mil empregados do setor estavam envolvidos em licenças ou programas que os dispensaram do trabalho em parte da semana. Desses, 33 mil foram cadastrados no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que prevê jornada menor e complementação salarial com recursos públicos. Outros 7,2 mil estavam, na ocasião, em “layoff”, uma suspensão temporária do trabalho.

Em setembro deste ano ainda havia 5,3 mil no PPE e 2 mil em “layoff”. O presidente da Anfavea, Antonio Megale, reconheceu que o corte de postos de trabalho no setor reduziu a necessidade de recorrer às ferramentas de flexibilização de jornada. Somente os programas de demissão voluntária abertos na Volkswagen e Mercedes-Benz em setembro envolveram um total de 2,7 mil empregados. A maioria deles já participava de PPE, “layoff” ou outros instrumentos, como licença remunerada.

Por outro lado, lembrou o dirigente, parte do pessoal retornou ao trabalho porque algumas empresas, como a Volkswagen, precisam deles para reativar a produção. As linhas de montagem na Volks ficaram boa parte do ano paralisadas por conta de briga com um fornecedor, o grupo Prevent, cujo desfecho ainda depende de decisão judicial. A Volks rescindiu o contrato com a Prevent e passou a comprar de novos fornecedores locais e também importar algumas peças da Alemanha.

Com os cortes, o quadro efetivo da indústria automobilística volta a nível ligeiramente mais baixo que o de 2008. A diferença é que hoje há mais fábricas de veículos no país e 7,2 mil trabalhadores continuam afastados.

No mês passado foram produzidos 170,8 mil veículos, o que representou uma queda de 2,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, a retração chega a 18,5%, num total de 1,5 milhão de unidades.

A despeito do quadro, a três meses do fim do ano, a Anfavea mantém a expectativa de uma queda de apenas 5,5% na produção anual. Megale acredita que o mercado interno vai reagir e voltar a médias mensais de 200 mil unidades – uma quantidade que o setor não atinge desde setembro do ano passado. O dirigente aposta na sazonalidade favorável do fim do ano, quando historicamente o consumidor se anima a trocar o carro.

Por outro lado, disse o dirigente, o fraco desempenho do setor ainda reflete uma expectativa em relação às reformas prometidas pelo governo. “A aprovação do teto de gastos públicos será fundamental para que um primeiro sinal seja dado”, disse.

O volume de vendas em setembro foi o mais baixo do ano desde fevereiro, um mês tradicionalmente fraco. O licenciamento de 159,9 mil unidades no mês passado representou queda de 20,1% na comparação com setembro de 2015. No acumulado do ano o resultado foi ainda pior, com uma queda de 22,8% (1,5 milhão de unidades).

Segundo Megale, em setembro houve dois dias úteis a menos do que agosto, quando foram vendidos 183,8 mil veículos no país. Ele aponta, ainda, a greve dos bancários, o que teria prejudicado a liberação de financiamentos. Pesou, ainda, diz, o ritmo de produção menor na Volkswagen.

A situação da indústria automobilística seria ainda pior se dependesse totalmente do mercado doméstico. Apesar de ainda tímido, o desempenho no mercado externo revela uma contínua recuperação. Em setembro os embarques totalizaram 35,1 mil veículos, uma alta de 15,8% na comparação com igual mês de 2015. As vendas externas renderam uma receita de US$ 833,9 milhões, o que representou alta de 21,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Por outro lado, no acumulado do ano, o resultado no exterior continua menor que no ano passado. As vendas externas de veículos alcançaram US$ 6,3 bilhões, o que equivale a uma queda de 4,6% no comparativo com os nove meses de 2015. A América Latina é ainda o principal destino, com destaque para as encomendas da Argentina e México, que têm crescido, segundo Megale. O dirigente não arrisca previsões para 2017. “Por enquanto só compartilhamos a previsão de que o Produto Interno Bruto do Brasil pode subir entre 1% e 1,5%”, disse.

Fonte: Valor Econômico, por Marli Olmos, 07.10.2016

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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