28
abril
2016
Clipping, Mídia,

Os apps invadem o RH.

Com poucos cliques no celular é possível pedir comida, acessar a conta bancária, saber o melhor caminho para fugir do trânsito, ouvir música, conversar com amigos e familiares e muito mais. Agora, além de reinar pela vida pessoal, os aplicativos começaram a ganhar o universo corporativo. De olho no aumento do uso de smartphones — que já supera o de computadores, segundo um estudo da Fundação Getulio Vargas — e buscando ficar mais perto de seus funcionários, algumas companhias começaram a investir nessa tecnologia.

O mercado de aplicativos para celular, conhecidos como apps, é um segmento promissor. Tanto que, no final de 2015, foi fundada a Associação Brasileira de Serviços Online para Off-line (ABO2O), que reúne 30 empresas e mensura as possibilidades do modelo de negócio.

Segundo o presidente da associação, Yan Di, o volume de transações por meio de aplicativos em operação no Brasil tem potencial para alcançar um faturamento de 1 trilhão de reais, até 2020. “Esse é um segmento que permite ao consumidor e às organizações aumentar a eficiência e a produtividade, o que viabiliza oferecer serviços e produtos por custos mais baixos, algo ideal em tempos de retração econômica”, diz o presidente da associação.

Além do potencial econômico, os departamentos de RH de grandes corporações, de diversos setores, perceberam a oportunidade de usar os apps como aliados na gestão de pessoas. As aplicações são variadas. A fabricante de bebidas Ambev, a cooperativa bancária Sicredi e a química Dow, por exemplo, desenvolveram aplicativos para facilitar a comunicação com os funcionários. Já a Avon, de produtos de beleza, e o banco Citi priorizaram a questão da saúde dos empregados, enquanto a consultoria PWC adotou um sistema para facilitar seus processos seletivos.

A evolução tecnológica parece ter — finalmente — chegado ao RH. Mas é preciso um alerta: “A ferramenta não pode ser excludente”, diz Isis Borge, gerente da consultoria de recrutamento Robert Ralf. “É necessário enxergar o aplicativo como um complemento. Ele não pode substituir nada, pois há públicos que ainda não estão habituados com os smartphones, inclusive profissionais sêniores, e isso poderia causar uma perda de talentos”, afirma.

Analise o investimento

Antes de pensar em desenvolver um sistema para smartphones, as companhias devem se atentar para alguns detalhes. Com o mercado de apps aquecido, faltam profissionais de desenvolvimento — o que pode encarecer o projeto. Segundo um estudo da consultoria especializada em tecnologia Gartner, até o final de 2017, a demanda por aplicativos crescerá cinco vezes mais rápido do que a capacidade das empresas de TI para executá-las. “Além do grande número de empreendedores que buscam apps, há um crescimento das organizações que buscam essas ferramentas para lidar com funcionários, fornecedores, clientes e outras questões”, diz o analista de pesquisa da Gartner, Adrian Leow.
A serventia do app também deve ser levada em conta. Isso porque há mais de 1,5 milhão de aplicativos disponíveis para ser baixados, mas alguns levantamentos de mercado apontam que 80% deles são utilizados uma única vez pelos usuários e, logo depois, desinstalados. A dica é, antes de tudo, analisar os ganhos práticos com a criação de um aplicativo. A seguir, confira exemplos de empresas que já usam a ferramenta.

App para comunicação

A Ambev emprega 32 000 funcionários no Brasil. Gerir tanta gente assim exige tempo e dedicação do time de recursos humanos. Na maioria das vezes, as demandas dos empregados são básicas, como dúvida na consulta de holerites ou pedidos de férias. Para otimizar o tempo dos funcionários e aproveitar estrategicamente a equipe de RH, a companhia criou, em janeiro de 2015, um portal para contemplar todas essas questões.

“Implantamos o portal Click Ambev: simplificamos os processos para que, em três cliques, o funcionário esteja diante da solução”, diz Gisele Takekawa, especialista de projetos de gente e gestão. Poucos meses depois, a Ambev replicou o conteúdo em um aplicativo para celulares. “Temos muitos vendedores, que ficam remotos, e os smartphones são aliados desse público”, afirma Gisele. A ideia é se comunicar com todo mundo, a qualquer hora. Cerca de 20 000 funcionários já baixaram o app; mensalmente, o aplicativo e o site recebem juntos 500 000 acessos.

Algumas solicitações, como o pedido do auxílio-creche, só podem ser feitas pelo site tradicional, mas a ideia é acabar com essa defasagem o quanto antes. Além de consultas simples, o Click também é responsável por recados gerais, solicitação de adiantamento, reembolso de despesas, entre outros serviços. “Os funcionários ainda têm acesso a informações sobre mídia externa, comunicados de outras unidades, além de uma caixa de sugestões eletrônica, direcionada para a área de RH da unidade”, afirma a executiva. Até mesmo promoções são aprovadas por gestores por meio do app. A autonomia ganhou novas possibilidades com apenas alguns cliques.

App para saúde

Estudos da Organização Mundial de Saúde e da Organização Internacional do Trabalho estimam que os gastos com as faltas ao trabalho custem às companhias norte-americanas cerca de 300 bilhões de dólares por ano. Por isso, muitas organizações investem na qualidade de vida de seus funcionários. É o caso da Avon, que criou o app Viva Bem para acompanhar a saúde dos funcionários. A intenção não é apenas reduzir o absenteísmo, mas isso acaba sendo uma consequência.

Por meio de celulares e tablets, desde novembro de 2015, os 6 500 funcionários da fabricante de cosméticos podem monitorar seu bem-estar a todo momento. Segundo Alessandra Ginante, vice-presidente de recursos humanos, o aplicativo é uma extensão dos benefícios de qualidade de vida oferecidos pela Avon, como o home office, o horário flexível de trabalho e a sexta-feira com expediente mais curto. Com o app, o objetivo é “empoderar as pessoas para que elas cuidem da gestão da sua saúde”, diz Alessandra.

Em pouco mais de quatro meses, o aplicativo, desenvolvido pela área de tecnologia da própria companhia, foi baixado por 1 900 funcionários, cerca de 30% da força de trabalho. Ao fazer o download, a pessoa, que tem um login e senha de acesso, preenche um questionário detalhado sobre aspectos relacionados à sua saúde e qualidade de vida; também é possível compartilhar resultados de exames, índices de pressão arterial, diabetes e colesterol, por exemplo. A partir daí, o aplicativo gera uma avaliação (com as cores verde, amarela e vermelha) de como está o empregado e mostra sugestões do que ele pode fazer para melhorar — utilizando os benefícios oferecidos pela organização.

Para Alessandra, os aplicativos estão presentes em quase tudo na vida das pessoas, e é inevitável que as corporações usem essa ferramenta para se aproximar dos trabalhadores. “Acredito que os RHs podem aproveitar as funcionalidades que os aplicativos para celulares oferecem. É uma forma ágil, simples e prática que pode ser aliada na comunicação”, diz.

App para contratar

A consultoria e auditoria PWC mudou parte de seu processo de recrutamento e seleção, usando os smartphones como um apoio. “Sentimos que precisamos falar a mesma língua dos jovens, evoluir com eles”, diz Marcelo Sartori, diretor de RH. Desde dezembro de 2015, a companhia usa o PwC Carreira, aplicativo que pode ser baixado pelos interessados em trabalhar na empresa. Pelo app, os candidatos sabem das posições em aberto e se inscrevem. “Recebemos cerca de 30 000 inscrições por ano, e agora essas pessoas podem acompanhar a evolução do processo com poucos cliques”, diz Sartori, destacando que a inovação reforça o estilo de profissionais que a empresa procura. Cerca de 2 100 pessoas instalaram o app.

Os candidatos selecionam a vaga, preenchem os dados e passam por uma triagem no aplicativo. Os gestores da PWC, com acesso a tudo, selecionam os preferidos para continuar no processo seletivo. As conversas iniciam por meio de vídeos, que são respondidos pelos líderes da PWC. “Nada substitui o olho no olho, mas queremos ganhar tempo para os dois lados. A fase final das conversas é feita pessoalmente”, diz. Como resultado, nos primeiros três meses, a PWC conseguiu atrair quatro vezes mais candidatos e o tempo para preenchimento das posições diminuiu em média cinco dias.

Fonte: Você RH, por Michele Loureiro, 28.04.2016

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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