22
fevereiro
2016
Clipping, Mídia,

Doméstico sofre um tombo maior na renda que outros trabalhadores.

Com o orçamento mais apertado das famílias e a menor oferta de empregos, a renda dos trabalhadores domésticos vive seu maior revés em pelo menos três anos.

O rendimento real (que desconta a inflação) da categoria teve queda de 2,4% no trimestre até novembro em relação ao mesmo período de 2014. O salário foi de R$ 750 no período, abaixo dos R$ 769 de um ano antes.

Foi a maior perda salarial da profissão desde o início da série histórica da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, em 2012. E mais intensa que a renda das demais profissões, que caiu 1,3%.

Sem oportunidades em ramos como comércio e serviços, o trabalho doméstico voltou a ser uma alternativa, e o número de profissionais voltou a crescer no país: são 6,2 milhões de pessoas, 3,8% mais que no período de setembro a novembro de 2014.

Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, essa procura crescente ocorre num momento em que as famílias também estão com o orçamento mais comprometido pela crise no país.

“O emprego doméstico volta a crescer com um salário menor. Pode ser por um acordo entre empregador e em pregado doméstico, que passa a trabalhar menos horas e recebe diárias menores.”

A inflação alta também contribui para a queda da renda real do trabalhador doméstico, ao corroer o poder de compra dos salários.

RITMO ACELERADO

O trabalho doméstico se tornou um escape porque o número de pessoas que procuram trabalho sem encontrar no país cresceu em 41,5% em um ano, para 9,1 milhões de setembro a novembro do ano passado.

Esse aumento da procura é um comum em tempos de crise. Mais pessoas da mesma família —como jovens, idosos e donas de casa— saem em busca de ocupação para complementar a renda dentro de casa.

O problema é que, com a economia em recessão, o mercado está cortando vagas, não contratando. O número de pessoas ocupadas no país encolheu em 533 mil pessoas na comparação com o mesmo trimestre de 2014, baixa de 0,6%.

Nesse cenário, a taxa de desemprego foi de 9% no período de setembro a novembro. Isso interrompeu uma sequência de dez altas, já que de agosto a outubro a taxa estava no mesmo patamar.

Segundo Bruno Campos, economista da LCA Consultores, o mês de novembro é tipicamente de contratação de temporários para o fim do ano. Por isso, a estabilidade da taxa não foi positiva.

“Isso quer dizer que o mercado de trabalho continuou piorando. Se você tirar os efeitos sazonais, a taxa de desemprego na verdade cresceu de 9,4% para 9,7%”, disse o economista da LCA.

Fonte: Folha de São Paulo, por Bruno Villas Bôas, 20.02.2016

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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