03
dezembro
2015
Clipping, Mídia,

Menos festas e gastos em um fim de ano complicado.

Os funcionários do BTG Pactual não vão ter muito o que comemorar neste fim de ano. A festa, que seria realizada no próximo dia 12 no Píer Mauá, no Rio, não vai mais acontecer. No caso do banco, o cancelamento é justificado pela prisão recente de seu presidente e principal acionista, André Esteves.

Em grande parte das empresas do país, contudo, o planejamento das comemorações foi influenciado pela crise econômica, pela escalada das demissões e pelo congelamento de investimentos. Por conta desse cenário, agravado com as perspectivas negativas para 2016, elas ficaram mais reticentes em organizar o evento, colocaram o pé no freio nos gastos ou até desistiram de oferecer algo especial.

“Não há um padrão este ano, mas de forma geral as empresas vão manter as agendas buscando custos menores. Para isso, devem economizar em detalhes ou diminuir a quantidade de ações”, diz Marcos Reitano, da consultoria de recursos humanos Ockam. “O fim do ano é um momento emblemático, em que as festas simbolizam um reconhecimento das diretorias aos colaboradores, por mais um período de trabalho.”

A Maxprint, companhia do setor de tecnologia e material para escritório com 600 funcionários no Brasil, decidiu manter os festejos, mas em uma versão mais econômica. O objetivo é reduzir o orçamento em cerca de 30%, comparado aos anos anteriores, segundo a gerente de marketing Eliane Pacheco, que cuida da organização da festa há quatro anos.

Segundo ela, o evento é uma tradição da empresa, no mercado há quase três décadas, e uma forma de agradecer o empenho dos colaboradores por mais uma etapa vencida. “Já vivemos momentos difíceis e passamos por eles porque temos pessoas comprometidas, que acreditam na organização. A festa está incluída no planejamento anual e é uma oportunidade para integrar as equipes”, afirma.

A Maxprint tem mais de dez mil pontos de vendas no país e é uma divisão do grupo Rio Branco, conglomerado brasileiro com faturamento anual de R$ 600 milhões. Em julho, a organização anunciou uma nova identidade visual, parte do plano de expansão de 2015, que prevê um crescimento de 30% nos negócios, baseado no fortalecimento da marca em setores como informática, varejo eletro e automotivo. O investimento na iniciativa foi de R$ 10 milhões.

Eliane afirma que, a cada ano, tenta inovar no encontro de dezembro, com temas e decoração diferentes. “O foco é fazer uma reunião marcante para que, no dia seguinte, o funcionário já crie expectativa para o próximo ano”. Com o momento difícil da economia, a executiva trocou de bufê, mas diz que garantiu a qualidade “com novidades”. A temática da festa será inspirada na cidade americana de Las Vegas. “Dá para inovar com menos. É um investimento que vai ter impacto nos índices de satisfação e motivação do quadro”, afirma.

Na opinião de Cristina Fortes, especialista em carreira da consultoria LHH, as grandes companhias sempre se preocupam em criar um ritual que celebre o encerramento do ano, mesmo em tempos de crise. “Eventos com brindes e cestas de Natal funcionam como um reconhecimento e dizem para os funcionários o quanto eles são valiosos para o negócio. Isso cria um sentimento de ser parte da organização”, diz.

Masaaki Itakura, diretor de estratégia corporativa da Tokio Marine, afirma que, este ano, o grupo não só manteve a distribuição da tradicional cesta de Natal, como reajustou o valor do item de acordo com a inflação. Todos os 1,7 mil colaboradores da seguradora, incluindo estagiários e jovens aprendizes, recebem o presente na forma de cartão-alimentação para gastar como quiserem. Além disso, 400 prestadores e temporários têm direito a um kit com panetone, bombons e espumante.

“A festa de encerramento de 2015 seguirá o mesmo modelo dos anos anteriores. Nosso time manteve a empresa em uma posição de destaque no mercado e contribuiu para atingirmos um crescimento de 17% em relação ao ano passado”, ressalta. No primeiro semestre de 2015, o lucro líquido da companhia alcançou R$ 74,3 milhões, 13,5% maior do que o registrado no mesmo período de 2014.

A Tokio Marine convidou todos os funcionários das sucursais de São Paulo para a confraternização, que será realizada em um espaço de eventos no bairro da Liberdade. Já as unidades de negócios de outras regiões do país recebem uma verba, por pessoa, para a realização da festa. “Queremos que o quadro permaneça engajado para alcançarmos os objetivos do plano estratégico, até 2017.” A meta é obter um crescimento médio de 15%, ao ano.

Na Thermo Fisher Scientific, multinacional de soluções científicas com 360 funcionários no Brasil, o evento natalino também será mantido. Marcado para acontecer nos salões do Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, terá coquetel, jantar e música ao vivo. “Estamos oferecendo a festa para comemorar e reconhecer os funcionários”, diz Manuela Bernis, diretora de recursos humanos para a América Latina.

O roteiro da noite inclui sorteio de brindes e apresentação de uma banda formada por funcionários da empresa. Cada convidado também ganhará um par de Havaianas customizadas. “Tentamos economizar em relação ao ano passado, pois praticamente todos os itens tiveram aumento de preço, principalmente os alimentos”, diz a executiva. “Mas mantemos o mesmo padrão de 2014.”

Na Bayer, com 4,7 mil funcionários no Brasil, a verba será a mesma do ano anterior, com correção da inflação. Segundo a diretora de recursos humanos Elisabete Rello, será realizada uma festa para todos os colaboradores nas unidades de escritório e fábricas. “Já para a força de vendas, é destinado um valor por empregado, que se reúne com a respectiva equipe”, explica. A Bayer não adota a prática de oferecer brindes ou enviar cestas.

Cristina Fortes, da consultoria LHH, afirma que há uma tendência natural das empresas em fazer mudanças nas festas e na distribuição de brindes, por conta dos acontecimentos que viveram no ano. Ela ressalta, porém, que a consideração profissional no ambiente de trabalho não deve se restringir a símbolos ou eventos. “Onde há necessidade de fazer ajustes, uma boa comunicação ou pequenas celebrações podem ter o mesmo efeito.”

Segundo a especialista, os gestores devem estar preparados para se alinhar às nuances do mercado. Uma empresa que vive problemas econômicos ou fez demissões, por exemplo, seria mal interpretada se realizasse grandes festas. “É preciso ser coerente e informar os funcionários sobre as ações tomadas.”

Essa é a estratégia da TNT, transportadora de cargas com mais de sete mil funcionários no país. A companhia optou, há três anos, por não realizar confraternizações e, segundo o diretor de recursos humanos Antônio Flauzino, a decisão não interfere na rotina da empresa. “Com a priorização de recursos, mantemos o crescimento da companhia e investimos no treinamento dos funcionários. Recentemente, fizemos aportes de R$ 500 mil para o desenvolvimento de 350 empregados.”

Em abril de 2014, o braço brasileiro do grupo conseguiu atingir o “break even”, com a aquisição de duas empresas nacionais: o Expresso Mercúrio e o Expresso Araçatuba, em 2005 e 2007, respectivamente. A ação tirou a TNT Brasil de uma situação de venda e entregou números melhores para a matriz global, afirma Flauzino. “Apesar de não haver festa, os resultados atingidos são celebrados com ações de comunicação interna que marcam as nossas conquistas”, diz. “Isso faz com que os colaboradores entendam que a medida contribui para a recuperação e o desempenho da companhia.”

Na Saphyr, gestora de shopping centers com mais de dez centros comerciais no Brasil, a ordem é poupar nas confraternizações. “Mesmo com a instabilidade econômica, não vamos deixar passar a data em branco, mas sem despesas desnecessárias”, diz Virginia Cereijo, gerente de gestão de pessoas do grupo, com 540 funcionários.

Um dos encontros da empresa, no Rio, terá DJ e bebidas com preços mais enxutos – opções como uísque e espumante foram descartadas. “Também cortamos a música ao vivo, optamos por brindes mais econômicos e uma decoração simples”, diz Virgínia, que negociou com fornecedores para conseguir os melhores preços dos serviços da festa. “Em comparação ao ano passado, conseguimos uma economia de 25%, por convidado.”

Durante 2015, a empresa precisou fazer demissões para diminuir custos e cancelou contratações previstas no orçamento anual. “Mas conseguimos remanejar funcionários para um novo shopping e economizamos com as rescisões.” No mês passado, o grupo inaugurou o Bossa Nova Mall, anexo ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

Marcos Reitano, da consultoria de recursos humanos Ockam, explica que as organizações que realizam mudanças nas comemorações devem fazer uma comunicação clara sobre a decisão aos colaboradores. Se o quadro entender que a companhia está fazendo o melhor que pode na situação, mesmo com ajustes, saberá aceitar e até mesmo valorizar as lideranças pelo procedimento. “O fundamental é as pessoas sentirem que continuam relevantes e que essa importância não é medida pelo tamanho de uma festa.”

Fonte: Valor Econômico, por Jacilio Saraiva, 03.12.2015

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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