02
dezembro
2015
Clipping, Mídia,

Mulheres sofrem maior desigualdade salarial nos estados mais ricos do País.

Nos estados do País onde são encontrados os salários mais altos existe maior desigualdade na remuneração entre os gêneros: mesmo sendo maioria nas universidades, brasileiras ganham até 32% menos que os homens.

Marilane Teixeira, economista e pesquisadora da Universidade de Campinas (Unicamp), corrobora que “em regiões mais ricas, onde estão os empregos que pagam mais, a diferença é muito maior”. Segundo ela, um dos motivos é o chamado ‘teto de vidro’: as mulheres são promovidas até determinado ponto e não chegam às funções que remuneram melhor, como diretoria e gerência, que ficam com os homens. A pesquisadora explica que isso acontece porque as mulheres ainda são pouco vinculadas a habilidades de liderança.

Por outro lado, em estados com maior número de trabalhadores de baixa instrução, a diferença entre o que ganham homens e mulheres é muito menor, principalmente por causa do salário mínimo, que acaba aproximando os ganhos, completa Teixeira.

Os maranhenses têm os piores salários do País. Nesse estado, os rendimentos mensais ficam, em média, em R$ 953. Porém, a desigualdade entre os gêneros é uma das menores do Brasil, já que as mulheres recebem 13% menos do que obtém os homens. Por outro lado, o número cresce para 22% no Distrito Federal, onde estão os melhores salários (R$ 3.803 para eles e R$ 2.987 para elas). Os dados são da Pesquisa Mensal por Amostra de Domicílio (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

E a desigualdade segue pelo Brasil. O estado em que há maior justiça entre os gêneros é também um dos mais pobres do País: a mulher recebe 7% menos do que ganham os homens no Acre, onde o rendimento médio de todos os habitantes é de R$ 1.430. Enquanto índices de desigualdade superiores são encontrados onde há mais dinheiro, no Centro, no Sudeste e no Sul do Brasil. Em Goiás, as mulheres recebem 32% a menos do que ganham os homens. Números parecidos são registrados também em São Paulo (29%), Rio Grande do Sul (29%) e Santa Catarina (28%).

Felícia Picanço, professora de sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) comenta que, “por causa da discriminação”, muitas mulheres “acabam em trabalhos com jornadas mais flexíveis e sem carteira assinada, que pagam menos, ainda que elas tenham escolaridade média melhor que a dos homens”. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), as mulheres são 55% dos ingressantes em universidades no Brasil e 60% entre aqueles que concluem o curso.

A professora explica que o “núcleo duro da discriminação” está na divisão do trabalho doméstico, tradicionalmente atribuído às mulheres. “Quando elas passam do status de filha para o de gestora e precisam gerenciar trabalho e família, acabam entrando em uma situação perversa: os empregadores contratam menos porque elas podem engravidar, faltar para cuidar de filhos doentes ou ter problemas domésticos”. Picanço comenta também que mesmo que a mulher não deseje ter uma família, “a expectativa do empregador de que isso possa acontecer já pode prejudicá-la”.

Outra causa da desigualdade nos salários é a remuneração inferior em “carreiras com mais mulheres, como enfermagem, pedagogia e relações públicas”, diz Picanço. “Existe uma tendência de as mulheres reproduzirem um padrão comportamental e procurarem esse trabalhos mais atreladas ao sexo feminino”.

Picanço afirma também que a desigualdade de rendimentos é menor no setor público, onde a maior parte das vagas é preenchida com a realização de concursos, que são “cegos para o gênero”. Já no setor privado, “os critérios são outros, incluindo visibilidade física e contato direto antes da contratação”, acrescenta.

“Redução muito pequena”

No Brasil, o rendimento médio das mulheres fica em R$ 1.549, 24,2% abaixo dos R$ 2.044 que recebem os homens. Há pouco mais de três anos, no começo de 2012, a distância era maior: elas recebiam, em média, 26,7% a menos do que eles.

Em outros países, a distância entre os salários de homens e mulheres é bem menor. Na Nova Zelândia a diferença não chega aos 6%. México (15%), Chile (16%), Portugal (16%) e Turquia (20%) também têm números melhores. Os dados são da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Para Teixeira, “a diminuição [da distância entre os salários] no Brasil ao longo dos anos é muito pequena”. A pesquisadora defende que sejam criadas políticas públicas “que discutam a inserção das mulheres no mercado de trabalho”.

Fonte: Diário do Comércio, Indústria e Serviços, por Renato Ghelfi, 02.12.2015

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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