25
novembro
2015
Clipping, Mídia,

Salário de contratado é 88% do que ganhava quem foi demitido.

A recessão afeta o bolso do trabalhador e deve aprofundar ainda mais o achatamento salarial que já existe no mercado de trabalho.

Quem entrou para trabalhar em uma empresa com carteira assinada recebeu em outubro, em média, 87,7% do salário pago a um trabalhador demitido, segundo dados compilados pelo Dieese para a Folha.

A diferença foi calculada com base nas informações de outubro fornecidas pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, e é a maior dos últimos dez anos, superando a de 2009, ano em que a economia sofreu os efeitos da crise.

Naquela ocasião, o contratado com carteira ganhava 88,7% do que recebia um profissional desligado.

O valor médio pago aos admitidos em outubro de 2015 foi de R$ 1.274,85; enquanto os demitidos receberam R$ 1.453,09. Ou seja, a remuneração média da contratação vale 87,7% da demissão.

Em outubro do ano passado, essa diferença era menor, de 90,4%. Descontados os efeitos da inflação, o salário de ingresso no mercado era de R$ 1.307,86 e o de desligamento, 1.446,53.

“O achatamento salarial é uma característica forte no mercado de trabalho brasileiro”, diz José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Dieese.

“A diferença entre os ganhos dos contratados e dos demitidos vinha diminuindo desde 2010, com a recuperação da economia. Agora, com a recessão, desemprego, voltou a crescer.

De janeiro a outubro deste ano, o Brasil cortou 687,8 mil empregos na faixa entre 1,51 e 3 salários mínimos mensais, enquanto foram criados 189,6 mil empregos com remuneração até 1,5.

“Estamos conseguindo gerar emprego com renda anual ao redor de R$ 15 mil e acelerando a destruição de empregos nas faixas maiores, mais qualificadas”, diz o economista Marcio Pochmann, professor da Unicamp.

No período, o país fechou 177,6 mil vagas com salários na faixa acima de cinco mínimos.

Para Pochmann, um dos fatores que mais chama a atenção é que está havendo uma redução da desigualdade, mas com um ajuste “nivelado por baixo”.

“A desigualdade, ao menos intersalarial, tende a não crescer. Como se corta o emprego de classe média, com maior rendimento e escolaridade, e cresce o emprego de baixo salário não há aumento da desigualdade no mercado de trabalho”, afirma o professor. “É uma recessão em que a base da pirâmide está mais protegida.”

A tendência é de a renda média continuar em queda neste ano e em 2016, segundo analistas do mercado de trabalho.

Fonte: Folha de São Paulo, por Claudia Rolli, 25.11.2015

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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