10
novembro
2015
Clipping, Mídia,

Pedidos de demissão ainda representam 23% do total.

Mesmo com a redução do volume de vagas com carteira assinada no país, o percentual de trabalhadores que pedem demissão ainda é alto. Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), esses desligamentos corresponderam a 23% do total no último mês de setembro.

Rui Rocheta, presidente do Gi Group, empresa de soluções para o mercado de trabalho, observa que o percentual de saída voluntária está em queda, mas pondera que momentos de crise também são uma oportunidade para as empresas “roubarem” talentos dos concorrentes. Empresas que comunicam mal um eventual ajuste de pessoal também podem perder funcionários que não seriam demitidos porque estes ficam com medo de estar na próxima lista, acrescenta.

Márcia Almström, da ManpowerGroup Brasil, também credita a essa disputa pelo funcionário já treinado parte das demissões à pedido. “Mas elas vão cair ainda mais”, diz ela, acrescentando que as empresas já não precisam mais buscar um profissional qualificado na concorrência. “Nos novos desempregados já há muitos profissionais bem preparados”, diz ela, usando como base uma rápida pesquisa feita entre 72 mil currículos que a consultoria recebeu para 5 mil vagas temporárias relacionas à Olimpíada do Rio de Janeiro.

Carolina Soares, gerente de recrutamento e seleção da Adecco, empresa global de recursos humanos, relata perceber uma maior mobilidade entre os trabalhadores “generalistas”, com remuneração de até R$ 1,5 mil. “Setores como o alimentício ou o de telemarketing ainda sofrem com a falta de mão de obra”, diz, acrescentando que o ramo de restaurantes segue na “contramão da crise”.

O mercado está mais concorrido para os trabalhadores mais qualificados, com faixa salarial entre R$ 3,5 mil e R$ 6,5 mil. “As empresas estão mais exigentes. O candidato tem que ter formação superior, inglês e, mesmo assim, tende a receber uma proposta salarial menor do que o mercado estava oferecendo”, afirma. Menos de 10% dos 150 clientes de sua divisão contratarão temporários neste fim de ano – muitos com menos vagas do que o planejado inicialmente.

Gabriel Ulyssea, da PUC-RJ, destaca que a rotatividade no mercado de trabalho brasileiro é estruturalmente alta, já que há pouco esforço “para acumular capital humano” – as empresas investem pouco para manter os funcionários – e a legislação gera incentivos para a troca de emprego.

Para Eduardo Zylberstajn, da Fipe, um mercado de trabalho mais flexível poderia trazer mais benefícios em momentos de crise como o atual. Hoje, diz ele, o único ajuste possível é o do término do contrato de trabalho, o que leva à rotatividade tão elevada. “Maior flexibilidade não significa menos direitos, mas valorizar a negociação, permitir arranjos de redução de jornada, de transferência de função”.

Fonte: Valor Econômico, por Denise Neumann e Camilla Veras Mota, 09.11.2015

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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