05
outubro
2015
Clipping, Jurisprudência,

Empregado da BRF não vai receber horas in itinere por trabalhar em outra cidade.

A BRF – Brasil Foods S.A. não terá de pagar o tempo gasto no percurso de casa para o trabalho (horas in itinere) de um operador de produção de Santa Helena (GO). Ele gastava uma hora no percurso de 60 km entre a sua cidade e a empresa, localizada em Rio Verde, em transporte fornecido pela BRF em parceria com o município de Santa Helena. O empregado recorreu, mas a Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho não conheceu do seu recurso.

Função Social

A Primeira Vara do Trabalho de Rio Verde havia lhe deferido a verba, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO) reformou a sentença entendendo que a empresa não pode ser onerada com o pagamento das horas in itinere. Isso porque a BFR “desempenha importante função social na geração de empregos para a população vizinha à Rio Verde”, especificamente para Santa Helena, sendo que Rio Verde tem trabalhadores suficientes para atender a sua demanda, o que “suplanta o pagamento de deslocamento”.

O TRT18 também ponderou que a verba relativa às horas in itinere, ainda que paga aos empregados residentes em Rio Verde, para os de Santa Helena “representa uma benesse, tendo em vista que o custo da empresa é muito maior para trazer esses empregados de localidades mais distantes”.

Difícil acesso

O empregado alegou ao TST que o fato de a empresa ter firmado acordo com o município de Santa Helena para contratação de trabalhadores locais não a exime de pagar os direitos legalmente previstos. No entanto, o relator que examinou o recurso, ministro Cláudio Brandão, observou que a decisão regional “não consignou expressamente que o local de trabalho era de difícil acesso”.

O relator esclareceu que o TST considera necessário para o deferimento das horas in itinere que o empregador forneça transporte aos seus empregados e, também, que o local de trabalho seja de difícil acesso ou não servido por transporte público regular (Súmula 90), o que não foi registrado pelo Tribunal Regional.

Levando em conta as peculiaridades do caso e o quadro fático deficiente verificado no processo, o relator não conheceu do recurso.

A decisão foi unânime.

( RR-1397-42.2012.5.18.0101 )

Fonte: Tribunal Superior do Trabalho, por Mário Correia, 05.10.2015

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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