22
setembro
2015
Clipping, Jurisprudência,

TRT determina que carteiro só pode andar até oito quilômetros por dia.

Desde terça-feira (15), funcionários dos Correios entraram em greve em 14 estados e no Distrito Federal. Os funcionários recusam a proposta de acordo coletivo do Tribunal Superior do Trabalho que determina, entre outros pontos, um reajuste de 12%. Mas, pelo menos num ponto específico, os carteiros conseguiram uma vitória.

Já imaginou ir de uma ponta a outra da Avenida Paulista seis vezes por dia, carregando peso nos ombros? “Quando esquenta a cabeça da gente chega `fumacear’, de tão calor que é”, conta um carteiro. Essas seis voltas numa das avenidas mais conhecidas do país equivalem a quase 17 quilômetros. É a média que os carteiros de Sorocaba, interior de São Paulo, andam por dia para entregar as cartas.

O Ministério Público do Trabalho chegou a esta conclusão depois que começou a investigar o porquê de tantas reclamações dos carteiros da cidade: dores nas costas, problemas na coluna, esgotamento físico. Foi usado até um GPS para medir a distância percorrida pelos trabalhadores. Mas, além das longas caminhadas, tinha também outro problema: o peso.

Os procuradores descobriram que os carteiros chegavam a entregar até 30 quilos de cartas e encomendas por dia. Entraram com uma ação na Justiça do Trabalho para dar um alívio aos carteiros de Sorocaba. O Tribunal Regional do Trabalho determinou que, a partir de agora, os funcionários podem andar no máximo oito quilômetros por dia e carregar dez quilos no caso dos homens, e oito, no das mulheres. E a decisão vale agora para todo o país.

“Estudos demonstram que, caso essa quilometragem não seja diminuída, bem como o peso, todos os trabalhadores carteiros ficarão doentes”, diz o procurador do Trabalho Gustavo Rizzo Ricardo.

O carteiro Carlos Faria já tinha conseguido uma liminar na Justiça para andar menos e carregar menos peso. “Eu entrego até melhor. O corpo hoje agradece. Hoje a disposição de vida é bem melhor”, conta.

Os Correios afirmam que os carteiros não ultrapassam o limite de peso da bolsa a cada sete quilômetros caminhados e vão recorrer da decisão. Quanto à greve, os Correios entraram com um pedido de julgamento de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho. A empresa vai aguardar até segunda-feira (21) pra saber se os funcionários em greve aceitam a proposta do TST.

Fonte: Revista Proteção, 18.09.2015

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