27
março
2020
Clipping, Mídia,

Empresas e funcionários se unem para combater vírus

Esforço para construir equipamentos e centros inclui voluntariado

Os funcionários da General Motors entraram em férias coletivas esta semana, mas parte deles voltará para as fábricas na segunda-feira. Não se trata de um retorno ao trabalho habitual. Voluntariamente, eles vão consertar respiradores para que mais pacientes graves infectados pela covid-19 possam ser atendidos. Em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, a Metalwork, pequena fabricante de peças para automação industrial, desenvolveu um protótipo de respirador e aguarda só o registro na Anvisa para produzir em escala. Em São Paulo, Ambev, Gerdau e o Hospital Albert Einstein se juntaram para construir um novo centro para atender pacientes do SUS infectados pelo novo coronavírus.

De grandes a pequenas empresas, a comunidade empresarial dá sua contribuição para combater a pandemia. A cada dia surgem novas iniciativas, como a da fabricante e varejista de calçados Arezzo, que mobilizou fornecedores de tecidos para produzir 25 mil máscaras de proteção. Ou a Natura, que, em parceria com o grupo São Martinho, que vai processar e envazar álcool, que será doado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

Cada iniciativa tem uma história. O gerente de inovação da General Motors do Brasil, Carlos Sakuramoto, foi procurado pelo Ministério da Economia. Ele ficou conhecido no governo durante as negociações do Rota 2030, acordo automotivo que concedeu incentivos para pesquisa na indústria automobilística. A mobilização também envolve o Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (Senai) e a Associação Brasileira de Engenharia Clínica (Abeclin).

Sakuramoto foi colocado na linha de frente para que as montadoras usem seu conhecimento de inovação para consertar respiradores quebrados. Ontem à noite, a Honda informou que aderiu a esse grupo de trabalho, que terá como voluntários engenheiros e técnicos especializados em eletrônica e mecatrônica.

Até agora, o mapeamento dos aparelhos quebrados chegou a 3 mil unidades em todo o país. Sakuramoto estima número muito maior. “Os equipamentos estão em hospitais e muitos deles ainda não sabem sobre nosso trabalho”, destaca. O treinamento é feito de forma virtual com ajuda dos professores do Senai.

A GM vai oferecer todas as suas fábricas em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A ideia é espalhar os centros de reparo para levar os aparelhos até a fábrica mais próxima.

Com o tempo, as montadoras poderão desenvolver peças e os próprios respiradores, segundo Sakuramoto. “Faremos a engenharia reversa”, diz, referindo-se a um processo muito usado na indústria automobilística: o respirador será desmontado para que os técnicos conheçam as especificações para replicar a produção. “É o momento de usarmos todas as armas que temos contra esse vírus”, afirma o presidente da GM na América do Sul, Carlos Zarlenga.

A indústria de máquinas também se prepara para produzir peças de respiradores em empresas que antes da pandemia se dedicavam a outra atividade. No interior de Santa Catarina, a Automatisa fabrica máquinas de corte a laser usadas na indústria têxtil. Mas se prepara, agora, para produzir peças de respiradores. Segundo Marcos Lichtblau, fundador e presidente do conselho de administração da empresa, 10% dos 38 funcionários estão em treinamento. “Aguardamos a demanda do Ministério da Saúde para iniciar a operação”, destaca.

No caso da Metalwork, o protótipo de respirador foi desenvolvido pela área de engenharia de um grupo de trabalho recém-criado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Máquinas e Equipamentos, chamado Respiradores Covid-19/Abimaq. “É um equipamento mais simples com regulação manual; com isso, o tempo de fabricação é menor”, diz o diretor geral da companhia, Hernane Cauduro. Com sede na Itália, a operação brasileira da Metalwork tem 80 empregados e faturamento anual de R$ 40 milhões. A empresa investirá R$ 350 mil no novo projeto. A expectativa é produzir 300 equipamentos por semana.

Em Pernambuco, um grupo de empresários juntou recursos para a compra de respiradores para hospitais do Estado. Até ontem, mais de 130 empresários já haviam doado R$ 10 milhões. Guilherme Cavalcanti, voluntário e porta-voz do grupo, diz que os empresários preferem se manter no anonimato. A ideia partiu de três deles que, em conversas com representantes do setor de saúde, identificaram que a falta de respiradores é o maior gargalo da infraestrutura hospitalar para enfrentar o novo coronavírus.

“Chegamos a comprar respiradores mais simples por R$ 39 mil, mas hoje alguns mais completos já chegam a R$ 70 mil”, diz Cavalcanti. O produto ficou mais caro em razão da desvalorização do real, no caso do importado, mas também pelo aumento de demanda.

“O momento atual pede colaboração e união de esforços. Por isso, unimos nossas expertises em diferentes áreas em prol de um benefício para a sociedade, que é o reforço da quantidade de leitos na rede pública de saúde em São Paulo, uma das mais afetadas pela disseminação do vírus”, afirma o presidente da Ambev, Jean Jereissati, ao contar detalhes do centro que será erguido em parceria com Gerdau, Hospital Einstein e a Prefeitura de São Paulo.

O projeto prevê investimento de R$ 10 milhões – divididos entre Gerdau e Ambev. A gestão ficará a cargo do Einstein. Segundo a Gerdau, o novo centro será construído em sistema modular, em 20 dias. A companhia doou 100 toneladas de produtos de aço. A unidade ficará anexa ao Hospital Municipal M’Boi Mirim- Dr. MoysésDeutsch, gerido pelo Einstein. A meta é entregar a primeira fase, com 40 leitos, até 13 de abril, e a outra parte dos 100 leitos até o fim do mês. Posteriormente, a unidade será entregue à Prefeitura de São Paulo e passará a integrar a rede pública municipal.

Além do projeto do hospital, a Ambev produzirá 500 mil garrafas de álcool em gel para doar a hospitais públicos de São Paulo, Rio e Brasília. A produção é feita na fábrica de Piraí (RJ). O álcool é obtido do processo cervejeiro. A Gerdau tem doado equipamentos de segurança individual, como máscaras, álcool gel e roupas hospitalares. A empresa também ofereceu a prefeituras áreas próprias para a construção de hospitais de campanha.

Por trás das grandes empresas que oferecem recursos para a luta contra a covid-19 existem pequenos doadores ocultos. A Arezzo informou que os tecidos das máscaras que vai produzir foram doados por fornecedores da região que reúne os municípios de Campo Bom e Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.

Durante videoconferência com empresários, o presidente da Arezzo, Alexandre Birman, antecipou que a empresa estava preparando uma ação para produzir máscaras hospitalares “em larguíssima escala”.

No setor automotivo, a Volkswagen vai ceder 100 veículos de sua frota para prefeituras de São Paulo e Paraná, onde estão as suas fábricas. Os veículos serão usados para deslocamento de médicos e enfermeiros, além de transporte de equipamentos e medicamentos. A Volks também doará duas mil máscaras. “É hora de doar; não de pedir”, disse o presidente da empresa na América Latina, Pablo Di Si.

Fonte: Valor Econômico, por Marli Olmos, Ana Paula Machado, Cibelle Bouças, Alexandre Melo e Marina Falcão, 27.03.2020

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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