20
março
2020
Artigos e Entrevistas, Clipping,

Filhos em casa exigem proteção extra e negociações no trabalho.

Com aulas suspensas pelo coronavírus, o ideal é que o filho não fique nos avós, mas nem sempre pais podem deixar o trabalho ou fazer home office. E agora?

Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), chegou de vez ao Brasil e várias cidades suspenderam aulas nas redes pública e particular. As crianças praticamente não desenvolvem formas graves da infecção, mas é provável que transmitam o vírus sem sintomas.

Fechar as escolas, portanto, é uma medida de prevenção, e não deve ser motivo de preocupação para os pais com a saúde dos filhos. Em entrevista à SAÚDE, o virologista Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, trata a medida como fundamental e destaca o potencial das crianças como vetores da doença.

“O maior problema é que elas podem se infectar na escola e entrar em contato com idosos e pessoas com doenças crônicas, que são o grupo de risco”, comenta Eitan Berezin, presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

O impacto do fechamento para as famílias

Adotada por praticamente todos os países com surtos de Covid-19, a suspensão de aulas não é consenso entre os especialistas. “Há dúvidas sobre a efetividade da medida, e é complicado estar com as crianças em casa, até mesmo porque muitos pais não poderão faltar ao trabalho”, destaca Berezin. “Mas a decisão deve ser respeitada, independente das dúvidas que tivermos sobre isso”, completa.

O impacto no cotidiano da família é um dos principais aspectos negativos do fechamento. “Por um lado, as escolas são locais de aglomeração muito grande, onde a criança convive com muitos adultos, pais, funcionários, professores… É uma dinâmica difícil de alterar e um momento delicado para esse contato”, comenta Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). “Por outro, muita gente não tem onde deixar os filhos”, concorda Kfouri.

Proteger os avós do novo coronavírus é prioridade

Algumas empresas até implantaram o home office, mas ainda não há regra, e há postos que exigem presença física, como cozinheiras, motoristas, servidores públicos, atendentes de supermercado e tantos outros. Para esses, muitas vezes a opção principal é ficar com os avós.

Se a criança está sem sintomas agora e não teve contato com casos suspeitos ou confirmados da doença, o perigo é menor. “Obviamente que, fechando as escolas agora, elas não terão outra fonte de contaminação, e a chance de passar o novo coronavírus para os idosos é menor”, destaca Kfouri.

Agora, se ela está resfriada ou os próprios pais apresentam sintomas, aí o ideal é evitar ao máximo a proximidade física, de menos de dois metros de distância. “Se for necessário esse contato, a criança deve usar máscaras e o idoso lavar as mãos constantemente”, ensina Kfouri.

Como prevenir a infecção nos filhos

Para evitar que a criança contraia o Sars-CoV-2, a recomendação é ficar em casa mesmo, sem passear por ambientes fechados e com grande circulação de pessoas. Shows, cinemas e teatros devem ser evitados. Para os outros locais, vale o bom senso. Por exemplo: um shopping vazio é menos perigoso do que uma feira livre em horário de pico.

Parques e praças próximos de casa podem ser boas opções de passeio, mais seguras. O parquinho do prédio, desde que não esteja super congestionado e seja ao ar livre, também. No domicílio, é preciso manter as medidas de higiene já conhecidas, principalmente lavar com frequências as mãos das crianças com água e sabão, por 20 segundos, e complementar com álcool gel – que, sozinho, também dá conta do recado se as mãos não estiverem com sujeiras visíveis.

Como há outros vírus respiratórios circulando, como o influenza, causador da gripe, o ideal é que os pais, ao chegarem em casa, se possível tomem banho e troquem de roupa. “Manter os ambientes bem ventilados, com janelas abertas, e limpos, ajudam a diminuir a possibilidade de transmissão domiciliar”, aponta Berezin.

Direitos trabalhistas para os pais em tempos de Covid-19

Para os pais que seguirão trabalhando, infelizmente não há uma legislação que permita que eles fiquem em casa em uma situação excepcional como essa. “É uma coisa totalmente nova, que está fazendo repensarmos as relações de trabalho como nunca foi feito antes”, comenta Adriana Pinton, sócia do escritório Granadeiro Guimarães Advogados.

A única previsão legal sobre ausência dos pais relacionadas aos filhos é uma falta anual para consultas médicas se o filho for menor do que seis anos. “Mas o que tenho visto pelos meus clientes é que as próprias empresas estão buscando alternativas, como o teletrabalho, quando existe a possibilidade”, destaca Fabiana Fittipaldi, sócia do escritório PMMF Advogados.

Em fábricas, galpões, comércios e outros postos que não podem ser exercidos à distância, algumas empresas têm adotado o revezamento de funcionários para manter um espaço mais seguro entre as pessoas. Além de reforçar medidas de higienização dos locais onde os funcionários sentam e circulam, equipamentos que manuseiam etc.

“O empregador não está obrigado legalmente a permitir a falta ou mudar algo em sua dinâmica, mas há uma responsabilidade legal em promover e zelar pela saúde do empregado”, destaca Fabiana.

Lembrando que as faltas não justificadas podem ser descontadas e até abrir caminho para penalidades. “Só é considerada uma falta justificada quando a pessoa estiver doente ou de quarentena, quando há suspeita de contágio”, diz Adriana.

É possível que novas medidas trabalhistas sejam recomendadas mas, por ora, as negociações dos pais com os empregadores devem ocorrer na base do diálogo.

Fonte: Abril (Bebe), por Chloé Pinheiro, 19.03.2020 – com entrevista concedida pela sócia Adriana Pinton

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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