19
março
2020
Clipping, Mídia,

Por coronavírus, montadoras dão férias coletivas e já demitem no Brasil.

GM e Mercedes-Benz preveem paralisação; Caoa Chery desligou 50 colaboradores

SÃO PAULO e PORTO ALEGRE

Estava tudo tranquilo até a semana passada, tranquilo até demais. A frase dita por um executivo do setor automotivo mostra que ainda havia esperança de que a pandemia do novo coronavírus poupasse o setor de maiores prejuízos. Mas isso não vai acontecer.

A produção começa a ser interrompida: as montadoras seguem critérios globais e dão férias coletivas.

Funcionários da General Motors ficarão em casa entre os dias 30 de março e 12 de abril. Em nota, a GM afirma que o objetivo é ajustar a produção à demanda atual do mercado. A paralisação é válida para todas as cinco fábricas da montadora no país. A unidade de Gravataí (RS) produz o Chevrolet Onix, carro mais vendido do Brasil.

Segundo o Sinmgra (Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí), as férias coletivas devem atingir cerca de 5 mil trabalhadores, já que alcança também os sistemistas —empregados de fornecedores que operam dentro do complexo automotivo da GM.

O Brasil é o segundo maior mercado global da empresa, com 475 mil carros emplacados em 2019, atrás apenas dos Estados Unidos.

“A companhia está dando férias para ajuste da produção, mas a gente sabe o que vem passando. O pessoal está preocupado, mais pela questão do coronavírus, que a empresa não citou. Se isso [pandemia] não cessar, quebra o país. Eles não falam em demissão, mas já sabemos como foi em outros momentos de crise”, disse Valcir Ascari, diretor administrativo do Sinmgra.

A Mercedes-Benz estará em férias coletivas entre os dias 30 de março e 19 de abril, além de utilizar o banco de horas para dar folgas aos operários. O retorno está previsto para 22 de abril, mas a volta irá depender da situação do país, segundo a fabricante alemã. A empresa produz caminhões e ônibus em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo) e automóveis em Iracemápolis (interior de SP).

Outras montadoras devem anunciar ainda nesta semana seus períodos de parada. A situação é avaliada pelas diretorias no fim de cada dia.

Houve também demissões. A Caoa Chery desligou cerca de 50 trabalhadores da planta de Jacareí (interior de São Paulo). Em nota, a montadora diz que “a situação econômica do Brasil neste início de ano, agravada pela recente disparada do dólar, gerou uma grande e inesperada queda nas vendas do setor.”

“Esta medida tem por objetivo reequilibrar a operação da empresa no país e resistir ao cenário econômico atual e previsto para os próximos meses”, afirma a empresa.

De acordo com a Anfavea (associação das montadoras instaladas no Brasil), negociações sobre flexibilização de jornada, paralisação de produção e relação com sindicatos têm sido feitas diretamente pelas empresas. Há 67 fábricas em 10 estados, que empregam cerca de 125 mil trabalhadores.

crise causada pelo coronavírus chega quando marcas lançam novos carros nacionais de grande volume. Entre os modelos mais recentes estão o Renault Duster 2021, feito em São José dos Pinhais, e a segunda geração do Chevrolet Tracker, que deixou de vir importado do México para ser montado em São Caetano do Sul (Grande São Paulo).

A pandemia reverte as expectativas de fabricantes que planejavam fechar 2020 no azul após anos seguidos de prejuízos. Investimentos feitos pelas montadoras a partir de 2012, que ultrapassam R$ 60 bilhões, ainda não foram recuperados.

Após um primeiro bimestre de números abaixo do esperado, as vendas de março iam bem. O acumulado até terça (17) beirava a 123 mil emplacamentos, com média diária superior a 10 mil unidades. A indústria acreditava em um crescimento perto de 10% no mês em relação a fevereiro.

Embora se espere uma queda acentuada nas próximas semanas, a Fenabrave (entidade que representa os distribuidores de veículos) vai esperar o resultado de abril para rever suas previsões para 2020. O problema maior será a fuga de clientes.

De acordo com a entidade, os estoques disponíveis hoje cobrem um período de 45 a 60 dias de vendas, o que permitiria manter as entregas no próximo mês mesmo que as fábricas prolongassem seus períodos de paralisação.

Fonte: Folha de São Paulo, por Eduardo Sodré e Paula Sperb, 18.03.2020

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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