17
março
2020
Clipping, Mídia,

Montadoras no Brasil se preparam para possíveis paralisações por coronavírus.

Problema do momento é garantir a segurança sanitária nas linhas de produção

A pandemia do novo coronavírus muda o cotidiano das fábricas de automóveis instaladas no Brasil. As empresas adaptam suas rotinas e se preparam para possíveis paralisações da produção.

Múltiplos cenários são avaliados dia após dia e envolvem um grande contingente. As filiadas da Anfavea (associação nacional das montadoras) empregam 125.989 funcionários, de acordo com dados de fevereiro.

Quando possível, as empresas têm recomendado o home office. A General Motors adotou a prática nesta segunda (16), mesma medida implementada na Renault a partir de terça (17). A Volkswagen e o grupo PSA Peugeot Citroën seguem essa mesma diretriz: quem pode, deve trabalhar de casa.

A direção da GM afirma que estão sendo realizados serviços adicionais de limpeza e higienização nos postos de trabalho para quem precisa ir às fábricas. Há linhas de produção e centros tecnológicos nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

“Em relação às implicações da pandemia na cadeia produtiva, a GM está em contato diário junto aos seus fornecedores globais. Até o momento, nossa produção local não foi impactada”, diz a empresa por meio de comunicado.

Viagens internacionais e eventos locais estão sendo suspensos em todas as empresas, mas há dúvidas sobre como ficarão as linhas de montagem.

A Renault diz que, até o momento, não houve impacto na produção. A empresa francesa, que produz carros em São José dos Pinhais (PR), afirma não ter fornecedores diretos (tier 1) da China.

“Sabemos que a China é um grande produtor de componentes eletrônicos que poderiam impactar nossos fornecedores tier 2 e tier 3 [níveis secundário e terciário], mas também não há previsão de impactos até o momento”, diz a nota enviada pela montadora, que tem promovido reuniões diárias para definir sua linha de ação.

A Honda também afirma que ainda não houve parada na produção, seja por falta de peças ou de operários. A situação está sendo monitorada diariamente e, segundo a direção da montadora, esse cenário pode ser alterado caso a situação se prolongue.

O problema do momento é garantir a segurança sanitária nas linhas de produção. Dispensários com álcool em gel estão sendo espalhados pelas fábricas, e os departamentos de recursos humanos promovem campanhas de conscientização.

O risco, no entanto, está também nos deslocamentos. As montadoras oferecem transporte em ônibus fretado para os operários, que entram e saem em grandes grupos ao mesmo tempo na virada dos turnos.

Para reduzir o risco de contaminação nos ambientes comuns, a Mercedes-Benz tem orientado os colaboradores a procurarem o ambulatório médico com urgência caso apresentem sintomas de gripe. “Recomendamos também que eventos e reuniões tenham número reduzido de pessoas e que, nos casos possíveis, sejam realizados online”, diz a assessoria de comunicação da montadora.

Com sede em Curitiba, o grupo Volvo América Latina também tem evitado reuniões. A empresa vai antecipar a campanha interna de vacinação contra a gripe para facilitar o diagnóstico de outras viroses.

A Toyota fechou seus centros de visitação, que são espaços de recepção para estudantes e demais interessados em conhecer a história e o método de trabalho da montadora japonesa. Há três unidades no país, localizadas nas plantas de São Bernardo (Grande São Paulo), Indaiatuba e Sorocaba (interior de SP).

“Esses espaços estão fechados para visitas até o fim de março. Após esse mês, vamos avaliar a situação para saber se abriremos ou manteremos fechado por mais algum tempo”, diz a empresa em nota. A produção ainda não foi afetada.

Em comum, todas as montadoras consultadas têm ampliado a atuação dos canais internos de comunicação com os funcionários.

Outras medidas devem ser tomadas ao longo da semana, e as empresas já se preparam para a desaceleração das vendas. Isso deve ocorrer não só pela provável retração da economia, mas também pelo fato de consumidores dispostos a fazer negócio adiarem a ida às lojas, por segurança.

Embora o processo de compra de um automóvel seja iniciado na internet, seu fechamento ainda é prioritariamente presencial, feito na rede concessionária.

Fonte: Folha de São Paulo, por Eduardo Sodré, 17.03.2020

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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