17
março
2020
Clipping, Mídia,

Aéreas cortam voos, salários e revisam investimentos.

Azul, Latam e Gol adotam medidas emergenciais para operar

As companhias Azul Linhas Aéreas, Latam Airlines e Gol anunciaram ontem medidas de emergência para enfrentar a crise no setor decorrente da epidemia de coronavírus. A Azul pode suspender o recebimento de aeronaves e já reduziu a oferta de voo, além de diminuir salários. A Latam está diminuindo a oferta de voos em 70% e faz revisão dos seus investimentos. A Gol, comandada por Paulo Kakinoff, também vai reduzir a capacidade total de voos em 60% a 70%.

O plano da Azul para suspender o recebimento de parte das aeronaves é referente às encomendas à Embraer para 2020 devido à crise sem precedentes no setor causada pela pandemia da covid-19. John Rodgerson, presidente da Azul, afirmou ao Valor que 27 aviões seriam integrados à frota.

“Esse cenário pode impactar o recebimento de aeronaves da Embraer. Pode cair o número de novas aeronaves. Mas se a crise se agravar, pode ser suspenso o recebimento dos aviões este ano”, disse Rodgerson. Os pedidos do modelo E2 não serão cancelados e as unidades poderão ser entregues em 2021.

A Azul está ajustando sua capacidade para enfrentar o período turbulento. Reduziu a oferta de voos para março entre 20% e 25% e a partir de abril a capacidade será de 35% a 50% menor para proteger a posição financeira diante da pandemia do novo coronavírus. Os voos internacionais mantidos são aqueles que partem de Campinas, em São Paulo.

Questionado se o cenário difícil poderia acarretar na devolução de aeronaves, o executivo respondeu que “por enquanto, não, porque é um problema temporário”. “Estamos ajustando nossa capacidade com base nos fatos atuais. Vamos reduzir muito a nossa oferta, mas seremos mais fortes depois.”

Rodgerson anunciou que os salários do comitê executivo serão reduzidos em 25% e que novas contratações serão suspensas como medidas para conter as despesas. A Azul também vai adiar o pagamento da participação nos lucros e resultados referentes ao ano passado.

Segundo Rodgerson, a redução de oferta de voos terá duração aproximada de 60 dias e a licença não remunerada, que já teve a adesão de 600 funcionários, será de dois a seis meses. “Acredito que esta situação vai passar. Olha o que aconteceu na China: estão voltando à vida normal.” Não estão previstas demissões.

Sobre uma eventual ajuda do governo para o setor de aéreas, o presidente da Azul disse será bem-vinda neste momento, considerando que a indústria aérea gera empregos e paga impostos. Ele lembrou que em 2019, somente a Azul desembolsou R$ 2,5 bilhões com o pagamento de tributos, além de comprar aeronaves da Embraer, uma fabricante local.

Neste momento, a Azul está conversando com bancos para fortalecer o caixa. A companhia aérea encerrou o quarto trimestre do ano passado com R$ 4,27 bilhões em caixa, montante 5,7% maior em relação a igual período de 2018.

A Latam informou que a partir de ontem reduziria a oferta de voos em 70% devido ao fechamento de fronteiras em diversos países e a consequente queda na demanda pelos passageiros. Nas rotas internacionais, o corte na capacidade seria de 90% e nas domésticas, 40%.

“Se as restrições de viagens sem precedentes forem estendidas nos próximos dias, não descartamos sermos forçados a reduzir ainda mais nossas operações ”, disse Roberto Alvo, atual vice-presidente de negócios e próximo diretor-presidente da Latam.

Todos os clientes com voos internacionais e domésticos afetados e com partidas programadas poderão reprogramar seus bilhetes até 31 de dezembro, sem custo adicional.

A Latam informou que está revendo todos os seus investimentos para 2020 e 2021 e que tem se esforçado para a manutenção dos empregos, além de avaliar a melhor forma de implantar medidas, como a licença não-remunerada.

A Gol, pro sua vez, informou que, para adequar a oferta de voos à nova realidade, vai reduzir a capacidade total em 60% a 70% até meados de junho. A redução no mercado doméstico será na faixa de 50% a 60%. No mercado internacional, o corte será maior, de 90% a 95%.

Em comunicado, a companhia aérea diz que a covid-19 teve um efeito muito pequeno em fevereiro e que, por isso, não foi preciso ajustar o nível de serviço aos clientes. No entanto, nesses últimos dias houve um declínio “mais significativo” na demanda em todo os mercados de viagens aéreas no país.

A Gol diz ainda que não havia, até então, cancelado voos domésticos e que se deparou agora com a necessidade de fazer uma adequação em sua malha área, sem interrupção de serviço para qualquer destino dentro do país.

“Esses ajustes são importantes para manter o equilíbrio do mercado, para que a Gol possa, após esse período de volatilidade, retomar sua trajetória de crescimento”, diz Richard Lark, vice-presidente financeiro da Gol no comunicado.

Fonte: Valor Econômico, por Alexandre Melo e Rita Azevedo, 17.03.2020

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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