03
fevereiro
2020
Clipping, Mídia,

Trabalho por conta própria é o que mais cresce em sete anos.

Empreendedorismo de necessidade e novas formas de trabalho levam a crescimento no número de trabalhadores com ou sem CNPJ

A redução no número de trabalhadores desocupados no Brasil em 2019 ocorreu principalmente pelo avanço de uma categoria que vem crescendo nos últimos anos e que, segundo especialistas, pode indicar uma mudança no mercado de trabalho: o trabalhador por conta própria.

Nos oito anos em que o IBGE faz a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), 3,9 milhões de pessoas passaram a trabalhar de forma autônoma.

Percentualmente, o aumento é de 19% desde 2012 e só fica atrás dos empregadores (alta de 24,5% para 4,4 milhões).

O avanço pode sinalizar uma questão conjuntural –sempre que há menos emprego formal, mais pessoas vão para a informalidade ou se tornaram prestadores de serviço pessoa jurídica–​ e outra estrutural, ou seja, mais profunda no mundo do trabalho.

A crise que elevou o desemprego nos últimos anos empurrou o trabalhador para a informalidade. Uma vez que o trabalhador se adapta a essa nova condição, aponta o pesquisador Miguel Foguel, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o que era temporário passa a ser a nova realidade do trabalhador.

Ou seja, o que era uma situação conjuntural –a falta de vagas formais– acaba alterando de forma estrutural o mercado de trabalho. Em outras palavras, o provisório torna-se permanente.

Isso pode ser notado pelo aumento da formalidade entre os autônomos. O ano passado terminou com 19,4 milhões trabalhadores por conta própria na informalidade, um avanço de menos de 2% sobre 2018. Já o número de autônomos formais, com CNPJ –como é o caso do MEI (Microempreendedor Individual)–, cresceu quase 9%, para 5,1 milhões.
O professor da Fipecafi, Samuel Oliveira Durso, considera que as atividades por conta própria ganham força com novas tecnologias, como é o caso de motoristas e entregadores de aplicativos.

Desde 2012, os setores que mais ganharam trabalhadores foram nos segmentos de alojamento e alimentação –alta de 43,60%–, onde estão, por exemplo, aqueles que vendem comida na rua, e de transporte, armazenagem e correio (18,41%), categoria em que se encaixam motoristas de apps.

“Esse tipo de trabalho torna-se mais atrativo em períodos de crise. Mas é mais inseguro, com menos direitos”, diz.

Especialistas estimam que trabalho por conta própria deve continuar crescendo, assim como a formalidade no setor, por opção de trabalhadores que decidem deixar a rotina de um emprego formal, seja para atuar como prestador de serviços ou criar seu próprio negócio.

É o caso da cozinheira Isis Talita Marimon, 33 anos, que deixou o emprego em um restaurante em 2017 para se dedicar ao buffet que havia montado em paralelo um ano antes.

Depois de dois anos e meio como MEI, mudou de categoria e tornou-se microempresária e contrata mão de obra, geralmente temporária.

“De outubro para cá foi uma grande mudança. Tem mês que eu tenho até folha de pagamento”, conta.

Nem todos, porém, estão satisfeitos com o trabalho autônomo e querem uma vaga de emprego com carteira assinada.

A artesã Vanessa Selivon, 42, chegou a trabalhar em banco, mas acumulou experiência no setor de produção de eventos. Em 2016, quando perdeu o último emprego com carteira assinada, começou a produzir bolsas e nécessaires.

A costura, que até então era um hobby, assumiu papel de renda principal. “Quando a tal crise apareceu, as coisas ficaram mais devagar. Reduziram as equipes nas agências e eu parti para os freelas”, diz.

“Como não conseguia nada fixo, decidi investir na costura criativa, intercalando com os eventos freelas que fazia.”

Vanessa é MEI e, com isso, é segurada da Previdência Social e garante tempo para a aposentadoria. Mesmo assim, segue procurando trabalho —na semana passada, passou por duas entrevistas de emprego.

Para Daniel Duque, pesquisador do Ibre/FGV, a melhora no emprego ainda é lenta. A força de trabalho (os que trabalham ou buscam emprego) vem crescendo de modo devagar. A renda média dos trabalhadores, está estável.

A publicitária Eliane Aparecida de Souza, 40, passou 2019 entre aulas de estilismo de moda, pequenos trabalhos informais e envio de currículos.

“Estou sem trabalho formal desde 2016. Fiz revisão de texto e umas coisinhas só para preencher mesmo”, diz.

Enquanto isso, segue rotina que inclui checar ofertas na internet. Todos os dias, envia ao menos três currículos.

Fonte: Folha de São Paulo, por Fernanda Brigatti, 01.02.2020

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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