12
dezembro
2019
Clipping, Notícias,

Formar a reserva para aposentadoria exige organização.

O Brasil ocupava o terceiro lugar entre 15 países na Pesquisa de Preparo para a Aposentadoria da seguradora Mongeral Aegon em 2018. A posição nobre no ranking é influenciada por fatores como boa compreensão financeira e consciência sobre o ato de poupar. Mas, na prática, há poucos motivos para comemorar, revela o levantamento. Faltam ações concretas dos brasileiros para planejar a aposentadoria.

No total, 32% dos entrevistados não têm planos para a aposentadoria, 46% têm um plano, mas não formalizado, e apenas 21% formalizaram o planejamento visando a longevidade. Outro estudo, divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em 2019, aponta que 58% dos brasileiros não possuem nenhum tipo de reserva financeira. Além disso, mais da metade da população (56%) acredita que será sustentada apenas pela Previdência Social quando chegar à aposentadoria.

As pesquisas mostram que, no Brasil, mais do que uma necessidade, reservar recursos para a longevidade é quase uma emergência. “O timing correto para programar a aposentadoria é o mais rápido possível. A partir do momento em que a pessoa começa a acumular recursos, uma parcela já deve ser direcionada para esse fim”, diz Ernesto Leme, diretor comercial da Claritas.

O marco zero de qualquer planejamento financeiro para a longevidade é fazer um levantamento completo da vida financeira, mapeando receitas e despesas. Não há fórmula mágica: para poupar, será preciso cortar gastos, elevar receitas – ou conseguir uma combinação de ambos. “É preciso reunir as informações financeiras e colocar esses números em uma planilha ou no papel de pão”, diz Angela Nunes, profissional certified financial planner (CFP) da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar). O intuito é que a pessoa entenda sua realidade financeira e verifique a capacidade que tem para poupar. “Qualquer planejamento financeiro começa com a capacidade de poupança.”

Ao reservar parte dos ganhos da vida laboral para serem desfrutados nos anos de aposentadoria, uma regra fundamental é a necessidade de estabelecer uma disciplina nos aportes. De nada adianta investir só quando sobra dinheiro na conta corrente no fim do mês, indicam os especialistas na matéria. “Manter uma regularidade mensal de aportes é muito importante nessa estratégia de longo prazo”, diz Ivens Filho, gestor de produtos da Guide Investimentos.

As mudanças no mercado de trabalho em anos recentes tornam mais desafiadora a tarefa de manter essa disciplina nos aportes. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o trabalho informal bateu recorde no país no trimestre encerrado em setembro. No total, 38,8 milhões de pessoas, ou 41,4% dos brasileiros que se declaram ocupados, eram considerados informais.

Uma característica comum a esse contingente – além de empreendedores e integrantes da gig economy (consultores, freelancers, profissionais liberais) – é a sazonalidade e a irregularidade da entrada dos rendimentos. Esse contingente convive com uma realidade em que há recursos de sobra em alguns meses e pouco dinheiro em caixa em outros. Mas isso não é desculpa para deixar os aportes para a aposentadoria de lado. Na incapacidade de fazer aportes mensais, a dica é calcular a receita líquida anual e projetar um único investimento uma vez por ano.

O tempo é um dos maiores aliados de quem investe de olho no longo prazo. Quem começa a juntar no início da vida profissional, entre 20 e 30 anos de idade, terá uma janela maior para acumular reservas. Começar a poupar cedo também permite ao investidor capturar melhor o efeito dos juros sobre juros e remunerar de forma mais atrativa seu patrimônio. Além disso, exigirá o comprometimento de uma fatia menor dos rendimentos todos os meses. A situação é exemplificada por uma simulação da Brasilprev feita com exclusividade para Valor.

Para acumular R$ 890 mil e conseguir uma renda vitalícia de R$ 5 mil ao mês aos 65 anos de idade – e considerando juros de 3,5% ao ano na fase de contribuição -, o investidor de um plano de previdência que inicia as contribuições aos 20 anos precisa destinar, mensalmente, R$ 690 ao fundo. O montante sobe para R$ 1.875 para quem começa aos 40 anos. “Quanto mais cedo a pessoa começar, menor é o percentual da renda que precisará ser guardado para formar um colchão para a aposentadoria. Ao longo do tempo, é possível aumentar essa fatia conforme a pessoa passe a ganhar mais”, diz Amerson Magalhães, diretor de operações da Easynvest.

Não há resposta padrão sobre o percentual da renda que deverá ser destinado para a aposentadoria. A análise é caso a caso e depende de metas individuais, como a manutenção do padrão de vida, a mudança para uma cidade menor com um custo de vida mais atrativo, a vontade de fazer múltiplas viagens por ano. Estabelecer objetivos pode ser um importante aliado nesse cálculo e para a disciplina dos investidores, diz o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) Reinaldo Domingos. “É preciso carimbar o dinheiro da aposentadoria, definindo o que será feito com o recurso no futuro. Poupar por poupar não garante disciplina.”

A escolha dos investimentos é outra etapa importante. Os planos nas modalidades Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) e Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL) são alternativas pelos benefícios fiscais (na tabela regressiva, o imposto de renda começa em 35% e cai para 10% para alocações superior a dez anos), a ausência de come-cotas (antecipação do recolhimento de IR em fundos de investimento) e a facilidade de sucessão do patrimônio para os beneficiários em caso de morte do titular.

É também o único instrumento no mercado hoje que permite a “compra” de uma renda vitalícia. “Manter parte das reservas em um plano de previdência é interessante por uma razão das mais simples: a possibilidade de debitar as contribuições em conta corrente, uma ferramenta eficiente para disciplinar o investidor”, diz Ivens Filho.

Nos últimos dois anos, a indústria de previdência complementar se modernizou e diversificou os produtos em prateleira. O propulsor foi a publicação de uma resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), em 2017, que flexibilizou as regras de alocação de recursos e trouxe maior atratividade aos fundos. O novo arcabouço regulatório complementou mudanças previstas na Resolução 4.444 do Conselho Monetário Nacional (CMN). Houve crescimento significativo ainda do número de gestoras independentes administrando fundos, além de plataformas digitais que distribuem produtos de previdência.

O investimento em um fundo de previdência não é a única opção para a aposentadoria. “Hoje, impera o conceito de poupança para a longevidade, que pode ser composta de diversos ativos, inclusive um fundo de previdência”, diz Angela Nunes, da Planejar. A montagem de uma carteira de investimentos por conta própria visando a aposentadoria é uma alternativa cada vez mais utilizada por diferentes perfis de investidores, mas a prática exige o conhecimento aprofundado do mercado financeiro ou consultoria especializada.

Seja por meio de um fundo de previdência, de uma carteira independente de investimentos ou pela combinação das duas estratégias – a alternativa mais indicada pelos planejadores financeiros -, os poupadores terão que lidar com uma nova realidade: a redução da taxa básica de juros para a mínima histórica de 5% ao ano e a perspectiva de manutenção da Selic em um patamar inferior a dois dígitos nos próximos anos. Esse cenário exigirá a diversificação dos investimentos e o aumento da alocação em ativos de risco em busca de rentabilidades mais atrativas.

Fonte: Valor Econômico, por Felipe Datt, 09.12.19

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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