02
dezembro
2019
Clipping, Notícias,

Por que o open office diminui a interação entre os funcionários.

Professor de Harvard volta a defender que plano aberto de escritório diminui em 70% a colaboração, mas agora explica os motivos e indica como reverter esse cenário.

Quando Ethan Bernstein, professor de comportamento organizacional da Harvard Business School, divulgou um artigo defendendo que o open office diminuía em 70% a interação dos funcionários recebeu uma enxurrada de e-mails. Muitos deles, inclusive, nada elogiosos. Por conta da repercussão – o artigo foi um dos mais citados e mencionados de 2018, segundo levantamento da Altmetric – Bernstein decidiu voltar a investigar o tema.

Em um segundo artigo, publicado recentemente no site de Harvard, Bernstein reafirmou que o formato de escritório “aberto”, sem baias e com menor número de salas, impacta diretamente na colaboração presencial das pessoas. Desta vez, porém, ele detalhou os motivos.

“Percebi que a pesquisa tinha uma boa metodologia, foi bem executada e ajudou a responder um longo debate com sociólogos que argumentavam que remover as baias iria aumentar colaboração, enquanto a psicologia social dizia o contrário”, disse. “O que não ficou claro naquele estudo foi a razão do open office diminuir a colaboração entre os funcionários que estão em um mesmo espaço físico”.

Com a ajuda de Ben Waber, cofundador da empresa de análise de dados Humanyze, Bernstein explica que o open office proporciona uma série de formatos possíveis para interação (dependendo de como o escritório foi montado), mas que ao mesmo tempo “compete” com a arquitetura digital (e-mails, rede social interna, grupos corporativos no whatsapp, Slack, Skype).

“Nesse ambiente cheio de opções, os funcionários acabam decidindo, de forma individual ou coletiva, quando interagir. E como: cara a cara, videoconferência, mídia social, e-mail, mensagem, reunião”, diz. Há, portanto, um ambiente com infinitas opções de interação, onde a “cara a cara” é apenas uma delas. O artigo também lembra que a maior parte dos escritórios de plano aberto não é projetada para aumentar a colaboração mas sim, para reduzir os custos.

Os autores também recorreram aos escritos sobre teatro do francês Denis Diderot para defender que o open office estabelece uma “quarta parede” [ideia de que há uma parede imaginária separando o palco da plateia e que impede que os atores sejam distraídos pelo público e encenem como se a cortina não tivesse subido]. Para o professor de Harvard, as pessoas em escritórios abertos criam uma quarta parede e seus colegas passam a respeitá-la.

“Se alguém está trabalhando intensamente, as pessoas não a interrompem. Se alguém iniciar uma conversa e um colega lhe lançar um olhar de aborrecimento, ele não fará isso de novo. Especialmente em espaços abertos, as normas da quarta parede parecem se espalhar rapidamente”.

Por essa razão, o open office aumenta o engajamento digital, defendem os professores. “Ao invés de ir conversar diretamente com a pessoa, mesmo que ela esteja muito próxima, os funcionários tendem a enviar mensagens eletrônicas. Principalmente se acharem que ela está, de alguma forma, ocupada”.

Como melhorar essa situação e aumentar as interações humanas também foi tema desta segunda investigação de Bernstein. Ao estudar experimentos de empresas e correlacionar outros estudos, como um do MIT, os autores defenderam que a probabilidade de duas pessoas em um escritório interagirem física ou digitalmente é diretamente proporcional à distância entre suas mesas.

“Uma grande empresa de software descobriu que 90% das interações cara a cara aconteciam nas mesas das pessoas. Apenas 3% ocorreram em áreas comuns e o restante ocorreu em salas de reuniões. Isso foi suficiente para ela começar a rever as necessidades de suas áreas comuns”, escreveram.

Outra empresa descobriu um “pequeno ajuste” que fez grande diferença: lousas brancas em áreas abertas aumentaram 50% as interações nas reuniões. Outra conclusão é que funcionários devem estar no mesmo andar para colaborar mais. Prédios próximos ou pisos adjacentes não ajudam muito a integrar pessoas de um mesmo time ou que precisam de mais interação em determinado momento e projeto. A realização de eventos – de palestras à hackathons – mostrou-se importante para aumentar a colaboração.

Em linhas gerais, porém, a principal mensagem dos pesquisadores é que as empresas devem usar métodos científicos e experimentos para testar vários formatos de escritório, de acordo com as demandas de seu negócio e do objetivo de cada equipe. “A colaboração é um esporte de equipe. É improvável que os escritórios com foco excessivo no suporte às preferências individuais façam um trabalho ideal de apoio à equipe geral”.

Fonte: Valor Econômico, por Barbara Bigarelli, 02.12.2019

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

Compartilhe
Comentários

Calendário

dezembro 2019
S T Q Q S S D
« nov    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Acompanhe no facebook