19
agosto
2019
Clipping, Notícias,

É preciso ponderar o tamanho do desvio profissional.

Especialistas dizem que é preciso controlar a ansiedade para não aceitar qualquer proposta por frustração ou medo de perder o emprego.

Uma dos principais conselhos dos consultores de recursos humanos para quem precisa recuar na trajetória profissional sem danificar muito o currículo é considerar o tamanho do desvio a ser feito. “Caso seja uma redução de cargo, é importante ponderar fatores como o pacote de responsabilidades, estrutura hierárquica e o faturamento da nova empresa”, diz Juliano Gonçalves, diretor da Randstad Professionals.

Já se for uma saída para troca de área, deve-se verificar se é um caminho que o executivo sempre desejou incluir na carreira. “Apesar de vivermos um momento desafiador para o profissional brasileiro, mudar de segmento para não ficar sem emprego pode quebrar uma linha consistente que vinha sendo construída no currículo.”

Gonçalves tem observado que a maior parte dos executivos que opta por uma migração descendente está desempregada há mais de um ano. “Isso acontece tanto por receio de permanecer sem trabalho, como para aproveitar a situação e arriscar uma nova carreira”, diz.

Para ele, independentemente da razão da decisão, é fundamental se preparar para a oportunidade que está na mesa e não encará-la como uma passagem até encontrar algo melhor. “O recrutador vai perceber esse interesse e desconsiderar o candidato na seleção.”

Por outro lado, quando o profissional já chega à nova vaga mais capacitado também tem mais chances de ter um desempenho superior. “Se o funcionário apresenta bons indicadores no curto prazo vai incorporar mais do que um cargo, mas uma posição de destaque e, naturalmente, recompensas e benefícios.”

A especialista em desenvolvimento humano Hedilene Cardoso afirma que o executivo, mesmo com um cargo menor, pode negociar a entrada na companhia. “Caso acumule conhecimentos que serão úteis no novo campo de atuação, é possível acordar que a posição de ingresso não seja tão inicial ou que o salário não esteja no nível mais baixo”, diz.

Antes de aceitar um posto menos qualificado, deve-se ainda fazer um planejamento financeiro e compartilhar a situação com as pessoas mais próximas. “Decidir algo no calor da emoção, em um momento de grande frustração com o cargo atual, não levará ninguém a uma experiência bem sucedida”, diz.

Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half, afirma que o executivo não deve ingressar em uma empresa já pensando em uma promoção no curto prazo. “Ele precisa dar tempo para o empregador conhecer suas competências e analisar um upgrade.” A recomendação é que o profissional estabeleça um prazo para pleitear a ascensão. Dois anos depois da admissão é um período adequado, diz. “É necessário controlar a ansiedade para não cobrar nada antes da hora.”

Outro caminho para garantir uma melhor colocação no futuro é tocar no assunto durante a avaliação anual de desempenho, que acontece na maior parte das empresas. “Esse é o momento do funcionário saber se está superando as expectativas do gestor.”

Izabela Mioto, professora da pós-graduação em administração de RH da Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap), sugere que o profissional se prepare para a nova função, mesmo com menos responsabilidades. “Estude a área da empresa, faça cursos reconhecidos, converse com pessoas do setor.”

Para Mantovani, quem opta por sentar atrás de uma mesa menor também deve estar pronto para desafios, como ser subordinado a alguém com menos senioridade. “Mas, uma vez dentro da organização, mantenha uma atitude de humildade, aprendendo com a equipe e respeitando os colegas”, diz. “Isso vale para qualquer movimentação de carreira.” (JS)

Fonte: Valor Econômico, por Jacílio Saraiva, 19.08.2019

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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