30
julho
2019
Clipping, Notícias,

Uber atrela bônus de executivos a metas de diversidade.

Medida visa incentivar o aumento da participação feminina e outros grupos pouco representados em cargos de liderança.

O Uber vai considerar o cumprimento de metas específicas de diversidade no cálculo das bonificações concedidas ao seu presidente-executivo e outros membros da cúpula administrativa da empresa. Existe um esforço da companhia nesse momento para aumentar o número de mulheres e pessoas sub-representadas em funções de comando.

A companhia não quis informar o quanto as bonificações estão contingenciadas ao cumprimento das metas de diversificação, mas um porta-voz disse que é uma parcela “significativa”. Segundo ele, a diversidade é apenas uma de uma série de medidas usadas para determinar os bônus do presidente-executivo Dara Khosrowshahi, do diretor financeiro Nelson Chai, do conselheiro geral Tony West e da diretora de recursos humanos Nikki Krishnamurthy.

Khosrowshahi, Chai e Krishnamurthy também têm outorgas de opções de ações que dependem da avaliação do capital da companhia chegar a US$ 120 bilhões, segundo documentos encaminhados às autoridades reguladoras americanas.

A política prevê que o Uber aumentará o número de mulheres em funções administrativas para mais de 35% até 2022. Também vai fazer crescer, no mesmo período, o percentual de funcionários sub-representados nos escalões intermediários para mais de 14% . A companhia não revelou qual a representatividade atual desses grupos.

O Uber vem lutando para superar a reputação de ser um local de trabalho tóxico sob o comando de seu fundador, Travis Kalanick, e outros executivos que foram dispensados após uma série de escândalos em 2017. Entre os problemas que precipitaram a saída de Kalanick está uma postagem de um ex-funcionário em um blog alegando a existência de comportamentos machistas, assédio e a tolerância a maus comportamentos. O Uber também foi investigado pela Equal Employment Opportunity Comission dos EUA por acusações de discriminação de gênero.

Desde que se tornou presidente-executivo em 2017, Khosrowshahi formou uma nova equipe executiva, contratou um diretor de diversidade e inclusão e anunciou uma série de valores corporativos, numa tentativa de mudar a cultura da companhia. No entanto, os resultados não têm sido totalmente satisfatórios. Atrelar a remuneração executiva a medidas de diversidade e inclusão foi uma das recomendações de um relatório enviado pelo Uber a Eric Holder, um ex-procurador-geral dos EUA, depois dos acontecimentos de 2017.

Defensores desse tipo de medida vêm pressionando outras empresas de tecnologia a adotarem essas políticas. A Microsoft disse em 2016 que iria atrelar as metas de diversidade aos bônus dos seus executivos, depois que a empresa registrou uma queda no percentual de funcionários do sexo feminino. A fabricante de chips Intel também inclui metas de diversidade no cálculo de suas bonificações aos principais líderes.

O Uber revelou a nova política em seu mais recente relatório sobre diversidade. Os dados mostram um aumento no número de trabalhadores mulheres e negros, mas também que a companhia e sua liderança continuam em grande parte masculina e branca.

Em março de 2019, 44,7% dos funcionários nos EUA eram brancos. Um ano antes esse percentual era de 48,6%. Os funcionários de origem asiática representavam 33% da força de trabalho, em comparação a 32,3%. O Uber disse que a proporção de funcionários negros aumentou de 8,1% para 9,3%, e a porcentagem de hispânicos e pessoas de origem latina cresceu de 6,1% para 8,3%.

Mundialmente, as mulheres respondiam em março por 40,9% da força de trabalho, contra 38% no mesmo período do ano passado. Nos cargos relacionados a tecnologia, os funcionários negros eram 3,6%, ante 2,6%, sendo que 4,4% eram hispânicos ou de origem latina, contra 3%. As mulheres representavam 21,9% da força de trabalho mundial, em comparação a 18%.

A liderança do Uber era formada em março por 59,9% de pessoas brancas. O número de líderes negros passou de 2,8% para 3,3% e o de hispânicos e latinos em funções de liderança cresceu de 1,4% para 2,7%. A proporção de mulheres em funções de liderança passou de 21% em 2018 para 28%. No entanto, em funções de liderança na área de tecnologia, o percentual de mulheres caiu de 15,6% para 13,8%.

Fonte: Valor Econômico, por Shannon Bond, 29.07.2019

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

Compartilhe
Comentários

Calendário

julho 2019
S T Q Q S S D
« jun   ago »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

Acompanhe no facebook