11
julho
2019
Clipping, Notícias,

Gestores devem estar atentos às emoções dos funcionários.

Dar ordens e saber motivar os outros são aspectos relevantes do trabalho de quem está em posições de gestão. Para a consultora e professora francesa Axelle Bagot, no entanto, liderar é ouvir. Escutar ativamente cada membro da equipe, ser capaz de observar o funcionamento dos grupos ao seu redor e incluir esses “dados emocionais” na hora de tomar decisões são as ações mais importantes para quem quer mobilizar os outros. “Nós tendemos a confundir autoridade com liderança. Há uma diferença entre figuras de autoridade e pessoas que muitas vezes querem inovar no sistema e mudar as coisas. Qualquer um pode exercer liderança”, afirma.

Especialista na área de “liderança adaptativa”, que defende uma abordagem menos formal e “vinda de baixo”, Axelle esteve no Brasil recentemente para dar um workshop no Hospital Israelita Albert Einstein para médicos, enfermeiros e outros profissionais da área de saúde. Ela foi recentemente nomeada professora adjunta na Universidade Brown, nos EUA, e dá aulas em Harvard junto com seu mentor e autor da teoria de liderança adaptativa, Ron Heifetz. Axelle também atua como consultora para governos, empresas e organizações sociais em diferentes partes do mundo.

No Brasil, ela conta que sua maior dificuldade ao dar aulas é a aversão ao conflito – os brasileiros não estão acostumados a ser desafiados, questionados ou a falar sobre suas diferenças. “Há um acordo tácito na sociedade de que somos um grupo diverso com histórias e origens diferentes mas não vamos falar sobre isso”, diz. Muito diferente de lugares como o Níger, na África, onde o conflito é a norma e o humor é a ferramenta de escolha para lidar com os desconfortos entre pessoas de diferentes origens que convivem no mesmo espaço. Já os franceses têm dificuldade de expressar uma opinião sem citar uma referência renomada, diz a consultora. “Há muita diferença, e depende da história do país”, afirma ela.

Mas apesar das particularidades culturais, ela percebe que na maioria dos lugares há um medo do fracasso e um incômodo generalizado com a ideia de que pessoas em posição de autoridade possam não saber tudo. Isso é um problema, diz Axelle. Segundo a consultora, ser um líder adaptativo é uma escolha que qualquer um pode tomar, independentemente de estar em uma posição de autoridade ou não. Mas é preciso ter “coragem, curiosidade e paciência”.

Ela lembra que a raiz da palavra “ingênuo”, tanto no francês quanto no português, é a mesma de “gênio”. “Temos a tendência a ver pessoas ingênuas como ridículas, mas eu as respeito muito, porque elas são tão curiosas que geralmente são as que estão mais dispostas a aprender”, diz. Principalmente quando o objetivo é trabalhar coletivamente, ela acha que é poderoso para quem está à frente da equipe admitir seus erros e falhas. “A ideia de que a criação e a inovação caem do céu é falsa. Nós precisamos voltar para a bagunça e para a complexidade do que significa criar.”

Fonte: Valor Econômico, por Letícia Arcoverde, 11.07.2019

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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