09
julho
2019
Clipping, Notícias,

Como o racismo prejudica profissionais no recrutamento em nove países.

Profissionais não-brancos e imigrantes recebem menos retornos em processos seletivos mesmo quando têm qualificação similar a de trabalhadores brancos e nativos, aponta um estudo com dados de nove países europeus e norte-americanos.

Pesquisadores de seis instituições, entre elas a Universidade de Harvard e o Instituto de Pesquisa Social da Noruega, fizeram uma meta-análise de 97 estudos, reunindo um total de 200 mil candidaturas a emprego na Bélgica, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Holanda, Noruega, Suécia, Canadá e Estados Unidos. Os estudos analisados usaram experimentos de campo, situações em que pesquisadores enviam currículos fictícios para recrutadores e observam as taxas de retorno.

Profissionais negros, com origem asiática ou do Oriente Médio e de outras minorias raciais foram prejudicados no recrutamento em todos os países pesquisados, mas a intensidade variou de um para o outro. A França e a Suécia foram os países com maior índice de discriminação – lá, os currículos de profissionais brancos receberam, respectivamente, 83% e 65% mais retornos do que os de trabalhadores de outra raça com as mesmas qualificações.

A Alemanha apresentou o índice mais baixo de discriminação, mas mesmo lá um profissional não-branco teria que enviar 24% mais currículos para ter as mesmas chances de um colega branco e nativo do país. Essa diferença foi de 55% na Grã-Bretanha, 44% no Canadá, 41% na Bélgica, 35% na Noruega, 33% nos Estados Unidos e 29% na Holanda.

O estudo foi publicado recentemente na revista acadêmica “Sociological Science”. Os pesquisadores encontraram indícios de que imigrantes brancos também estão em desvantagem em relação a profissionais brancos nascidos no país, mas em menor intensidade na comparação com profissionais de outras etnias. No geral, a discriminação foi mais frequente em vagas que não exigem ensino superior.

Lincoln Quillian, professor da Universidade Northwestern e um dos coautores do estudo, afirma que algumas práticas e políticas dos países podem influenciar o nível de discriminação que aparece nos processos seletivos. Na Alemanha, por exemplo, é comum que os recrutadores exijam vários documentos junto ao currículo, como o histórico escolar ou relatórios de estágios.

“Suspeitamos que ter bastante informação sobre o candidato no início do processo reduz a tendência de ver profissionais de grupos minoritários como não-qualificados”, diz. Há menos espaço para os recrutadores projetarem sua visão – muitas vezes estereotipada – dos trabalhadores.

Já nos Estados Unidos, o pesquisador atribui o resultado a uma maior pressão do governo e da opinião pública para grandes empresas divulgarem números sobre a representatividade de gênero e racial no seu quadro de funcionários.

Fonte: Valor Econômico, por Letícia Arcoverde, 09.07.2019

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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