23
janeiro
2019
Clipping, Destaque, Notícias,

Governo quer criar Tinder do emprego com banco de dados.

Ideia é ampliar acesso de empresas a currículos do Sine para facilitar ‘match’ de contratante e trabalhador.

O governo Jair Bolsonaro quer ampliar o acesso de empresas a milhares de currículos de pessoas desempregadas que estão no Sine (Sistema Nacional de Emprego).

A ideia foi batizada de “Open Sine” no Ministério da Economia e tem como objetivo abrir os dados dos trabalhadores, de maneira voluntária, com o objetivo de aumentar a chance de pareamento entre vagas e potenciais empregados.

O descasamento é um dos fatores que contribuem para o desemprego, segundo economistas especializados em mercado de trabalho.

Embora tenha uma rede de alcance nacional, o Sine não é usado por muitas empresas, que preferem desenvolver programas próprios de recrutamento ou contratar agências de emprego de privadas.

O governo quer que essas agências e as empresas tenham acesso aos dados que são coletados pelo Sine, por exemplo, quando o trabalhador faz o registro no segurodesemprego. E também os currículos dos que vão às agências estaduais em busca de vagas.

Com isso, espera fomentar um mercado de empresas interessadas em fazer o “match” (pareamento), por meio de aplicativos e novas tecnologias, uma espécie de Tinder do mercado de trabalho.

Os estudos começaram a ser desenvolvidos na Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, do Ministério da Economia.

Chefiado pelo economista Carlos da Costa, o órgão herdou parte das atribuições do antigo Ministério do Trabalho, extinto na gestão do presidente Jair Bolsonaro.

A avaliação é que o atual sistema não vem conseguindo cumprir o objetivo de reduzir o desemprego. Essa é uma das agendas que o secretário considera emergencial, uma vez que o número de desempregados e subocupados chega a 27 milhões.

Em alguns estados, diz Costa, a efetividade do Sine é baixíssima, com uma taxa de sucesso (em parear trabalhador e vaga) inferior a 0,5%.

“Precisamos entender quais são os dados [dos trabalhadores] que facilitam o ‘match’. Mas não seremos nós, o Estado, que vamos ter estrutura para captar as vagas de empresas e fazer esse ‘match’. Deixa startups fazerem isso, deixa o mercado se encarregar”, disse.

“Essas empresas não fizeram isso até hoje porque não tinham acesso aos dados e porque não viam oportunidade, com o governo querendo fazer tudo, captar a vaga, ir à empresa. Temos de facilitar em vez de atrapalhar.”

Costa argumenta que a liberação dos dados pelo governo para o setor privado contará com sistema de segurança e proteção das informações.

Segundo o economista Bruno Ottoni, do Ibre/FGV e da consultoria iDados, países que investiram na melhora do sistema de intermediação, como o Sine, obtiveram respostas positivas na redução do desemprego, como a Alemanha.

Em países como o Brasil, em que a rotatividade é elevada, a intermediação é ainda mais relevante para reduzir o desemprego, afirma. Isso porque o mecanismo reduz o tempo de espera entre um trabalho e outro pelo empregado.

Mas, segundo ele, o maior desafio para a plataforma brasileira é aumentar o seu uso, tanto por desempregados quanto por empresas. Vagas mais bem remuneradas, por exemplo, não costumam passar pelo sistema.

Fonte: Folha de São Paulo, por Mariana Carneiro e Bernardo Caram, 23.10.2019

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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