30
novembro
2018
Clipping, Doutrina,

‘Vai ser cada vez mais difícil resolver o desemprego’, afirma professor.

Especialistas destacam a importância do planejamento para se adaptar à nova realidade do trabalho.

A realidade do trabalho está mudando, e o Brasil precisa se preparar para uma reformulação nas ocupações. O uso extensivo da tecnologia, mudanças comportamentais e sociais e questões regulatórias fazem parte deste contexto.

A maior parte das ocupações que conhecemos deixará de existir daqui a algumas décadas, segundo Paulo Feldmann, professor da FEA-USP. “Vai ser cada vez mais difícil resolver o desemprego do que foi no passado”, disse.

Caberia ao país enxergar as áreas capazes de gerar emprego e investir nesses setores, além de investir na formação de jovens para ocupações que ainda não foram inventadas. Feldmann defende o investimento em uma formação generalista, que possa dar conta dos desafios do trabalho no futuro.

As alternativas para o desemprego e a nova realidade do trabalho foram temas discutidos durante o seminário O Futuro do Emprego e o Emprego do Futuro, organizado pela Folha, com patrocínio do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e apoio do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

João Roncati, presidente da consultoria empresarial People Strategy, defende a necessidade de reflexão diante de uma situação complexa, sem recorrer a atalhos. O economista criticou visões simplistas, como as que sugerem que nenhuma escola é válida ou que todas as universidades estão ultrapassadas.

“Há no Brasil um receio em dirigir a formação”, disse, ao defender a concentração de esforços nas áreas que possam gerar mais oportunidade de trabalho.

Os especialistas enxergam oportunidades em algumas áreas, que poderiam absorver tanto trabalhadores qualificados quanto aqueles com pouca qualificação. A saúde, o ambiente, o turismo e a cultura foram citados como setores capazes de crescimento.

Em comum, são áreas nas quais o Brasil tem alguma vantagem (como a biodiversidade) ou que exigem atenção humana e uso da criatividade, habilidades que não podem ser mimetizadas por máquinas. “A recuperação de mananciais é absolutamente necessária, e exige mão de obra intensiva e pouco qualificada”, afirmou Wasmália Bivar, ex-presidente do IBGE e professora da PUC-Rio.

Na saúde, citada por todos como um setor com mais oportunidade, Feldmann enxerga dois contextos. Para o economista, os médicos podem ser substituídos por máquinas –como mostram estudos que comparam a taxa de erro na análise de uma tomografia por um médico e por um robô. “O médico pode ser substituído, mas o enfermeiro, não”, completou Roncati.

Aline Cardoso, secretária de Desenvolvimento Econômico da prefeitura de São Paulo, destacou a importância do poder público na inclusão de toda a população diante da nova realidade, sem deixar que a base da pirâmide seja prejudicada. “Se não fizermos nada, o futuro vai trazer mais exclusão e desigualdade”, disse.

Ela enxerga oportunidade de inclusão para diferentes níveis de qualificação, que devem ser capacitados dentro de suas possibilidades.

Fonte: Folha de São Paulo, por Vanessa Henriques, 30.11.2018

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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