30
novembro
2018
Clipping, Doutrina,

Máquina tira emprego, mas gera trabalho mais humano, dizem especialistas.

Educação deve acompanhar demanda do mercado por mais criatividade e raciocínio.

Enquanto revoluções tecnológicas do passado usavam a tecnologia como complemento ao trabalho humano, a que acontece atualmente trata da completa substituição do homem pelas máquinas em grande parte dos cargos existentes. A mudança, no entanto, abre caminho para que a sociedade trabalhe com competências mais humanas.

“Se um robô pode fazer uma tarefa, ele vai fazer. E fará melhor, mais rápido e com maior desempenho do que o homem”, afirmou Guilherme Thiago de Souza, gerente de engenharia e desenvolvimento da empresa Roboris do Brasil.

Essa mudança, segundo o engenheiro, acaba com uma série de empregos, mas faz com que as empresas comecem a procurar profissionais que tenham bem desenvolvidas áreas de raciocínio, faculdades cognitivas e colaboração.

Souza falou em debate durante o seminário O Futuro do Emprego e o Emprego do Futuro, realizado pela Folha, com patrocínio do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e apoio do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), em São Paulo. O repórter especial da Folha Fernando Canzian mediou a discussão.

De acordo com Luiz Arruda, diretor da consultoria WGSN Mindset, que pesquisa tendências de comportamento, o problema é que essas novas demandas do mercado não são atendidas pelos modelos tradicionais de educação.

A situação, porém, estaria se modificando de forma lenta e espaçada no país. Arruda afirmou ter mapeado iniciativas interessantes por todo Brasil que aplicam conceitos como startups, “design thinking” e gamificação com o objetivo de desenvolver competências como criatividade, inteligência emocional e comunicação nos jovens.

“Mas, se ninguém oferece a solução, as novas gerações têm um ferramental extenso para descobrir por elas mesmas. Assim, hoje, muitos jovens se organizam para empreender e conseguir o que podem não ter alcançado na escola”, disse.

Para Fabro Steibel, diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, no caso do Brasil, uma iniciativa essencial para o desenvolvimento da educação ainda é investir em infraestrutura tecnológica nas escolas públicas.

“Esquecemos que metade dos colégios públicos brasileiros não tem internet e a outra metade só tem o suficiente para o diretor conseguir mandar e-mail. Precisamos nos mirar no exemplo da Estônia, que unificou digitalmente suas escolas em 1998 e hoje alcança resultados expressivos em educação”, declarou Steibel.

Para ele, não é difícil oferecer melhores condições de desenvolvimento e aprendizado para a população mais pobre do país. Bastaria o poder público oferecer infraestrutura e tecnologia para lugares onde já há uma mobilização popular forte e colaborativa e alta capacidade de utilização de recursos, como na favela da Rocinha, segundo o executivo. “O problema é que o Estado chega a esses lugares muito mais tarde do que aos outros”, afirmou.

Fonte: Folha de São Paulo, por Leonardo Neiva, 30.11.2018

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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