28
novembro
2018
Clipping, Notícias,

Diversidade racial na empresa ajuda a criar tecnologias melhores.

Um vídeo no YouTube mostra um chamativo dosador de sabonete que esguicha automaticamente uma espuma ao detectar uma mão se mexendo sob seu bocal. Ele parece funcionar perfeitamente — menos com peles negras. Durante um videoclipe de 26 segundos, postado em 2015, não importa as tentativas do narrador TJ Fitzpatrick, todos os dosadores de sabonete “inteligentes” da sala se recusam a esguichar espuma na palma da sua mão.

“Na fase de testes daquele dosador, as pessoas negras nem foram consideradas”, diz Mark Martin, cofundador da UKBlackTech, um grupo ativista do Reino Unido. Ele conta o caso do dosador ao explicar por que uma organização como a sua é necessária.

Se o fabricante do dosador tivesse incluído pessoas de pele escura nos testes e fabricação do produto, esse erro estúpido teria sido detectado. E o problema não para aí, afirma Martin. “Se estamos fazendo produtos que envolvem a inteligência artificial e não estamos considerando os negros e outras etnias, isso é sinal de que algo grave está acontecendo.”

Não se trata de um temor infundado. O uso da inteligência artificial (IA) está explodindo. A técnica evoluiu em tudo, da emissão de espumas à condução de condenações penais. Mas erros podem acontecer. O engenheiro de software Jacky Alciné descobriu em 2015 que um algoritmo de reconhecimento de imagens do aplicativo Photos do Google estava identificando pessoas negras como gorilas.

Com tanta coisa em jogo, a UKBlackTech, que foi fundada no ano passado, quer encorajar as companhias de tecnologia a empregar uma força de trabalho mais diversificada. Uma de suas iniciativas é uma mesa redonda com 16 grupos globais, que vão do Facebook à IBM.

“Pedimos a eles que compartilhem as boas práticas de recrutamento entre si porque o que constatamos foi que todos estão trabalhando isoladamente e todos achavam que tinham uma solução genial”, acrescenta Martin, formado em computação e professor de tecnologia da informação e comunicações há 10 anos.

Os críticos afirmam que a falta de diversidade no local de trabalho tem relação com a qualidade dos candidatos. Os comentários são de que os recrutas negros não são tão qualificados ou vêm de universidades “de menos prestígio”.

Dion McKenzie, que ajuda a inserir candidatos negros em empresas de tecnologia, fica aflito com essa visão. “Se estou ajudando uma das empresas do meu portfólio a contratar alguém, vemos que os candidatos negros, asiáticos e de outras minorias étnicas não passam nem na fase de triagem”, diz ele. “Você precisa se perguntar por que isso acontece.”

Para ilustrar a escala do problema, a empresa de McKenzie, a Colorintech, que visa construir uma “economia digital mais inclusiva”, realizou sua própria pesquisa. A organização sem fins lucrativos avaliou o trabalho da Equality Challenge Unit e constatou que no ano acadêmico de 2013/2014, mais alunos de minorias étnicas estudaram ciências, engenharia e tecnologia em comparação aos alunos brancos, numa proporção de 48,6% contra 44,7%.

Os talentos estão aí, mas apenas 4% da indústria de tecnologia do Reino Unido é formada por profissionais negros, asiáticos e de outras minorias étnicas, segundo a Colorintech. Para enfrentar esse problema, o grupo promove dois programas: “imersão” e “bolsas”, um estágio pago em uma companhia de tecnologia. Ao selecionar os participantes, McKenzie, que estudou em Stanford, faz os graduados negros passarem por “um processo de seleção exaustivo”.

“Quase reproduzimos os processos de recrutamento do Google e do Facebook”, acrescenta ele, “porque esses estudantes não foram preparados nesse processo antes.” Com o programa de imersão, grupos de 15 universitários do primeiro e segundo anos são levados ao Vale do Silício, onde visitam empresas de tecnologia como o Google.

A estratégia parece estar funcionando. Um terço dos estudantes que concluíram os programas da conseguiram empregos nas empresas em que fizeram estágio ou na área.

Os dois grupos novatos têm planos para ampliar suas ofertas. A UKBlackTech quer ver como as empresas de tecnologia podem ajudar as pessoas que sofrem de anemia falciforme, uma doença grave que afeta as populações negras de uma maneira desproporcional. Enquanto isso, McKenzie, que também investe em startups, planeja um “pré-acelerador” de cinco semanas em meio período, para empreendedores negros e asiáticos. Quanto a Fitzpatrick, do vídeo do dosador, um amigo branco aparece (literalmente) para ajudá-lo a acionar o aparelho — uma solução que hoje em dia simplesmente não pega.

Fonte: Valor Econômico / Financial Times, por Ray Douglas, 28.11.2018

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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