25
outubro
2018
Clipping, Notícias,

Treinamentos formais são mais bem-vistos.

Quando se trata de treinamento corporativo, os profissionais brasileiros ainda são bastante conservadores na forma como preferem receber novos conhecimentos. Eles gostam mais de aprender frequentando aulas presenciais, seminários, congressos, feiras e exposições. O ensino on-line e por meio de mídias sociais, embora citado, não está na lista de preferências dos empregados.

Esses dados fazem parte de uma pesquisa realizada pela consultoria Nexialistas, que ouviu 300 funcionários, 68% entre 31 e 50 anos de idade, que atuam em empresas no país, sendo 24% com faturamento acima de R$ 1 bilhão. “Nosso levantamento mostrou que não é preciso reinventar a roda porque as pessoas ainda preferem que as coisas aconteçam de uma maneira mais formal e tradicional”, diz Anderson Bars, sócio da consultoria.

Um dado que chama atenção, segundo o consultor, é o fato de 62% dizerem que aprendem atuando em suas atividades produtivas, ou seja, durante o trabalho. “Aprender colocando a mão na massa aparece como uma das principais estratégias de gestão do conhecimento nas empresas”, diz Bars. Mais da metade dos pesquisados afirmaram, inclusive, que recebem treinamentos ministrados por funcionários da própria empresa.

Bars lembra que o ensino para adultos requer um alto engajamento do participante. “Ele só estuda se estiver afim e se sentir a necessidade de adquirir determinado conhecimento”, diz. Um meio de fazer os profissionais relacionarem o que aprendem com a prática, segundo ele, é dando mais autonomia no processo de aprendizagem. “As pessoas podem escolher sozinhas o que precisam buscar para melhorar o seu desempenho. É preciso tratar adultos como adultos.”

Segundo o levantamento, essa autonomia ainda é pouco vista nas empresas brasileiras. A pesquisa mostra que 77% dos treinamentos são indicados pelos chefes, 41% pelo departamento de recursos humanos e apenas 16% dos profissionais fazem inscrição por conta própria, sem precisar de uma aprovação prévia. “Isso mostra que ainda existe espaço para trabalhar esse assunto dentro das organizações, pois a tendência mundial é que se ofereça um portfólio para que o funcionário possa escolher o que precisa aprender.”

Embora 51% dos pesquisados tenham afirmado que suas companhias já utilizam as mídias sociais no aprendizado, 18% via WhatsApp, eles percebem os treinamentos mais tradicionais como sendo mais efetivos. As reuniões formais foram citadas por 78% dos participantes como a melhor forma de adquirir conhecimentos estratégicos e táticos. Em seguida, aparecem os treinamentos presenciais, preferidos por mais da metade dos pesquisados, quando perguntados sobre o aprendizado mais operacional.

Para quem recebe treinamento on-line, o melhor formato, segundo 71% dos pesquisados, é por meio de vídeos e animações. “Existe uma geração que hoje não busca mais informações no Google e que prefere fazer isso via tutoriais no YouTube. O vídeo está muito mais presente na vida deles”, diz Bars.

O consultor diz que hoje se fala muito sobre o uso de games no ensino corporativo, mas eles aparecem na quarta posição na preferência dos funcionários. “As empresas ou estão oferecendo cursos ruins ou vendendo mal para o seu público interno o ensino on-line. No entanto, ele vai ser cada vez mais necessário, pois muitas companhias têm funcionários espalhados em vários lugares que precisam ser conectados.”

A falta de tempo é indicada como a segunda maior dificuldade na formação dos funcionários. Os respondentes acreditam que o ideal seria poder dedicar 31% do seu tempo ao aprendizado. Tomando como base 22 dias de trabalho por mês, isso significaria seis dias, segundo Bars. Na prática, metade dos pesquisados diz que consegue dedicar no máximo dois dias mensais aos estudos.

Para 73% dos participantes, suas companhias não entendem a importância do aprendizado e 30% acreditam que falta alinhamento e conexão dos treinamentos com temas estratégicos para o negócio. Embora sintam essa distância entre o que pensam e o que a companhia efetivamente proporciona, quase 90% afirmam que o aprendizado é fundamental para aumentar a competitividade na área em que atuam.

As empresas ainda têm dificuldade em medir as ações de aprendizado. No geral, elas olham para o impacto na avaliação de desempenho do funcionário e apenas 10% observam o ROI (retorno sobre o investimento). “Para que esse quadro mude é preciso que as companhias invistam para avaliar melhor o retorno direto do que ensinam.”

Fonte: Valor Econômico, por Stela Campos, 25.10.2018

Os artigos reproduzidos neste clipping de notícias são, tanto no conteúdo quanto na forma, de inteira responsabilidade de seus autores. Não traduzem, por isso mesmo, a opinião legal de Granadeiro Guimarães Advogados.

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